A indústria de combustíveis há muito enfrenta ondas de inovação do mercado, e elas só se aceleraram desde o início da pandemia de COVID-19: veículos elétricos (VEs) e combustíveis alternativos ganharam tração significativa, o uso de veículos de micromobilidade evoluiu, e o comportamento do cliente mudou drasticamente. Um novo relatório do Boston Consulting Group (BCG), intitulado A New Era for Fuel Retailers, explora um cenário de varejo de combustíveis que está se desenvolvendo em um ritmo mais rápido do que o previsto, e as estratégias que os varejistas devem implementar para sobreviver e prosperar diante da ameaças do mercado.
De acordo com o relatório, baseado em uma pesquisa com 33 executivos das 20 principais varejistas globais, operadoras com negócios robustos descobriram que as vendas nas lojas e as ofertas on-line durante a pandemia compensaram os declínios acentuados nos volumes de vendas de gasolina e diesel. Mais recentemente, à medida que a incerteza e a volatilidade geopolíticas pressionaram o aumento dos preços do petróleo, muitos operadores perceberam que o varejo é uma questão de resiliência dos negócios. Assim, cerca de 70% dos principais players do setor planejam expandir sua rede nos próximos anos.
“O atual contexto traz, ao mesmo tempo, desafios e oportunidades para os varejistas, que precisam se antecipar às tendências, considerando diferentes possibilidades e plataformas, enquanto realizam adaptações nas estruturas já existentes. Isso significa, por exemplo, que os atuais postos poderão dar suporte a veículos elétricos e outros combustíveis alternativos, além de focarem em mobilidade sustentável e obterem outras fontes de lucro”, ressalta Fernando Lunardini, diretor executivo e sócio do BCG.
Principais tendências no cenário de varejo de combustível
Nos últimos anos, destacam-se cinco tendências no setor:
- Combustíveis alternativos não são mais opcionais: As vendas de VEs estão aumentando — em algumas regiões, superando até mesmo as de veículos com motor de combustão interna (ICE). O BCG projeta que, até 2030, mais de 50% das vendas de veículos leves 0 km nos EUA serão veículos elétricos. A demanda por biocombustíveis também está aumentando, e parcerias regionais na Europa, China e Estados Unidos estão sendo criadas para permitir o lançamento no mercado do transporte pesado movido a hidrogênio (por exemplo, caminhões de longa distância; ônibus). Como resultado, 95% dos varejistas de combustível já estão oferecendo ou planejando oferecer pontos de carregamento para VEs, e 55% já disponibiliza ou planeja disponibilizar combustíveis alternativos.
- Formatos de mobilidade avançada mudando os padrões de uso: O ritmo do desenvolvimento tecnológico em mobilidade avançada mudará os tipos de veículos — e os tipos de clientes — que aparecem em um posto de gasolina. A gama está diversificando de veículos puramente autônomos para frotas autônomas, e de motores de combustão interna para veículos elétricos.
- A COVID-19 mudou o comportamento do consumidor: As vendas das lojas de conveniência nos EUA estão aumentando em postos que adaptaram suas ofertas para atender às expectativas dos consumidores em relação à conveniência. 65% dos varejistas entrevistados planejam investir mais em suas lojas para aprimorar a experiência do cliente e melhorar a eficiência do local.
- As tecnologias digitais estão expandindo as capacidades dos postos: Cerca de 60% dos varejistas estão usando análise de dados para personalizar suas ofertas dentro e fora da estação de serviço. As tecnologias digitais também permitiram que estações individuais usassem preços dinâmicos — uma ferramenta importante para manter as margens altas durante o COVID, quando o volume de vendas despencou.
- A sustentabilidade está se enraizando: Órgãos reguladores estão adotando medidas mais rigorosas para controlar as emissões de CO2, e a paridade de preços entre alternativas e combustíveis fósseis está se tornando uma realidade. Mais VEs estão se tornando disponíveis a preços comparáveis aos veículos ICE, enquanto em algumas regiões o diesel renovável está se aproximando do mesmo preço do diesel derivado do petróleo.
Um plano para agir
Esses desenvolvimentos apontam para a necessidade de os varejistas de combustível se reorientarem: longe do combustível fóssil e em direção a alternativas, olhar menos para os veículos e mais para os clientes.
As oportunidades de crescimento são significativas se os varejistas buscarem quatro caminhos estratégicos:
- Repensando sua futura rede para um mundo em que os combustíveis de hidrocarbonetos não dominam mais.
- Reimaginando o posto como um hub de mobilidade e conveniência.
- Renovando seus programas de fidelidade e personalização.
- Conduzindo novas áreas de crescimento além do posto de combustíveis.
“É imprescindível que as lideranças entendam que o crescimento de VEs em todo o mundo e as discussões sobre sustentabilidade, além de combustíveis limpos, são um caminho sem volta, isso não apenas na indústria de óleo e gás, mas em diferentes mercados”, analisa Fernando Lunardini. “Aqueles que entenderem essa dinâmica mais rapidamente e se mobilizarem de maneiras criativas estarão aptos para sobreviver à nova realidade, que tende a ter muitas brechas positivas para as empresas”, finaliza.
Acesse a publicação na íntegra, em inglês, no site do BCG.







