Regulamentar a inspeção técnica veicular seria uma medida mais saudável economicamente e sustentável do que o incentivo fiscal para a compra de automóveis de até 120 mil reais, proposto pelo Governo Federal, para aquecer a indústria automobilística, avalia Marcelo Gabriel, professor da pós-graduação em Administração da ESPM.
Para o especialista, três ou quatro meses para incentivar o consumo não vão resolver o problema da indústria, e a demanda por manutenção seria uma medida mais perene e adequada até pelo ponto de vista da sustentabilidade. “É mais sustentável reparar o que já existe do que produzir novos veículos. Uma manutenção de 200 reais em 40 milhões de veículos coloca oito trilhões de reais na economia e movimenta uma série de setores indiretos”, diz.
O artigo 104 do Código Nacional de Trânsito diz que os veículos em circulação terão suas condições de segurança, de controle de emissão de gases poluentes e de ruído avaliadas mediante inspeção obrigatória. Segundo Gabriel, desde 1997 não há inspeção técnica veicular, e se houvesse, como acontece em países como a Espanha e a França, uma parte relevante do setor automobilístico seria beneficiada. “Há milhares de pequenos estabelecimentos de reposição de peças e oficinas que seriam diretamente afetados positivamente, que teriam um impacto social maior para o trabalhador, sem contar a questão de segurança viária, em que muitos acidentes acontecem por falta de manutenção”, diz.
Outro ponto positivo é a redução dos custos com saúde pública. “Quando havia a inspeção de emissões na cidade de São Paulo as internações por problemas respiratórios caíram 18%”. Os dados foram divulgados durante a cerimônia de inauguração da Automec 2023, evento sobre o mercado de reposição, que contou com as presenças dos principais representantes do setor automotivo nacional e autoridades do setor público.
Fonte: On Truck






