A crescente presença da China no setor automotivo global, especialmente no segmento de veículos elétricos (VEs), somada à lentidão no lançamento desses modelos nos Estados Unidos, tem gerado preocupação entre os principais executivos da indústria automotiva. É o que revela a Pesquisa Kerrigan OEM 2025, divulgada pela consultoria norte-americana Kerrigan Advisors.
Realizado pela terceira vez, o levantamento anual consultou fabricantes de automóveis antes do anúncio das novas tarifas da administração Trump, em 2 de abril. Mesmo sem o impacto direto dessas medidas na época, os dados já indicavam um sentimento de alerta: os executivos demonstraram crescente inquietação com a agressiva expansão das montadoras chinesas e com os desafios domésticos para a transição elétrica.
A entrada acelerada de fabricantes da China no mercado global — com modelos mais baratos, competitivos e voltados para eletrificação — é vista como uma ameaça real à posição das tradicionais montadoras ocidentais. Além disso, a pesquisa aponta que o ritmo de lançamento de veículos elétricos nos Estados Unidos está aquém das expectativas do setor. Problemas como infraestrutura insuficiente, resistência do consumidor e custos elevados dificultam a massificação desses modelos no país.
Segundo a Kerrigan Advisors, essas preocupações estão influenciando decisões estratégicas importantes nas empresas, tanto na reavaliação de investimentos em VEs quanto na busca por parcerias e ajustes em suas cadeias de fornecimento. “A pressão por inovação acelerada está se chocando com realidades de mercado e com a forte competição internacional”, avalia a consultoria.
Com o cenário global em rápida transformação e as tensões comerciais em pauta, a pesquisa revela que os fabricantes de automóveis estão diante de um momento decisivo: ou aceleram sua adaptação à nova era da mobilidade elétrica, ou correm o risco de perder espaço para concorrentes mais ágeis e ousados — como as montadoras chinesas.







