O mercado de seminovos registrou um salto expressivo de 32% nas vendas recentes, reflexo direto da crescente dificuldade do consumidor em adquirir veículos 0 km. A alta, porém, vem acompanhada de sinais de desaceleração, tanto no segmento de novos quanto de usados. A avaliação é da Fenauto (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores), que observa uma mudança no comportamento de compra motivada pelo alto custo dos carros novos, financiamento mais caro e perda de poder de compra da população.
De acordo com o presidente da entidade, o consumidor tem optado cada vez mais por veículos seminovos como uma alternativa viável diante das dificuldades econômicas. “Estamos vendo o reflexo da realidade financeira do país. O consumidor está fazendo contas e buscando opções com melhor relação entre custo e benefício”, afirma.
Apesar do bom desempenho no acumulado do ano — com crescimento de 14% no mercado de usados até agora —, o ritmo já dá sinais de enfraquecimento. Em maio, por exemplo, houve uma queda de 1,4% na média diária de vendas em relação a abril, apontando uma possível tendência de estabilização ou desaceleração nos próximos meses.
Assim como Fenabrave e Anfavea, a Fenauto também projeta um cenário mais cauteloso para o segundo semestre de 2025. A estimativa é de que o setor feche o ano com um crescimento mais modesto, entre 5% e 6%, bem abaixo da taxa registrada até o momento.
Enquanto o mercado de novos sofre com a baixa demanda, os seminovos seguem como válvula de escape para o consumidor, mas sem garantir, necessariamente, um fôlego duradouro para o setor automotivo. A expectativa é de que, sem mudanças estruturais no crédito ou incentivos ao consumo, o mercado como um todo caminhe para um ritmo mais lento ao longo do ano.







