A relação econômica e comercial entre Brasil e Alemanha deve se fortalecer com foco em inovação, industrialização e transição para uma economia de baixo carbono, segundo Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Durante a abertura da 41ª edição do Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA), realizado em Salvador pelo SENAI Cimatec, em parceria com a CNI, a Federação das Indústrias Alemãs (BDI) e a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), Alban destacou o vasto potencial para ampliar a parceria comercial entre os dois países, com o Acordo Mercosul-União Europeia como catalisador para a integração econômica.
A colaboração entre Brasil e Alemanha pode se expandir em áreas como energia, saúde, insumos farmacêuticos, digitalização e rastreabilidade de cadeias produtivas, além de oportunidades em biocombustíveis e hidrogênio verde. Sustentabilidade, inovação e transformação digital são essenciais para a competitividade, eficiência e relevância da indústria, sendo pilares para o crescimento econômico de ambos os países, conforme Alban enfatizou.
A Alemanha, décimo maior destino das exportações brasileiras, importou US$ 5,8 bilhões do Brasil em 2023, com quase metade desse valor oriundo da indústria de transformação, setor que gera cadeias produtivas extensas e empregos bem remunerados. Estima-se que cada R$ 1 bilhão exportado para o mercado alemão cria 26 mil empregos no Brasil, segundo a CNI.
O Acordo Mercosul-União Europeia é uma prioridade para consolidar laços com a Alemanha e outros parceiros europeus. Alban destacou que o tratado, que pode entrar em vigor no segundo semestre, cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, abrangendo 20% da economia global e mais de 720 milhões de consumidores. Em um cenário de protecionismo e tensões comerciais, o acordo assegura acesso preferencial a mercados estratégicos, ampliando oportunidades de comércio e investimentos.
Na abertura do evento, estiveram presentes o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, o presidente da FIEB, Carlos Henrique Passos, a secretária do Ministério Federal da Agricultura e Identidade Regional da Alemanha, Martina Englhardt-Kopf, e o vice-presidente da Comissão da Indústria Alemã para a América Latina, Michael Heinz. Durante dois dias, empresários e representantes governamentais de ambos os países buscarão novos negócios e acordos bilaterais.
Rui Costa apontou que o EEBA ocorre em um momento global desafiador, marcado por medidas protecionistas dos Estados Unidos e conflitos como o recente entre Israel e Irã. Ele defendeu a necessidade de aprofundar relações multilaterais, destacando valores compartilhados entre Brasil e Alemanha e o potencial para acordos de livre-comércio. Jerônimo Rodrigues reforçou as oportunidades do Brasil e da Bahia na transição energética e na expansão industrial, com o governo federal trabalhando para posicionar o país como líder global em economia de baixo carbono.
Márcio Elias, do MDIC, destacou o potencial brasileiro para enfrentar as emergências climática e de segurança alimentar por meio da economia verde. O Brasil pode produzir carros elétricos com 40% menos emissões de gases de efeito estufa e painéis solares com 80% menos, graças à matriz energética renovável. Carlos Henrique Passos, presidente da FIEB, destacou o SENAI Cimatec como um centro de excelência em pesquisa e inovação, ideal para sediar o encontro e fomentar uma economia integrada.
Representando a Alemanha, Martina Englhardt-Kopf enfatizou a importância de parcerias para enfrentar desafios globais, como a segurança alimentar para uma população crescente, que exige inovação e resiliência. Michael Heinz, da Comissão da Indústria Alemã e da Basf, reforçou o valor do Acordo Mercosul-UE em um contexto de taxações globais, destacando o Brasil como protagonista na transformação energética e na economia verde.
O EEBA conta com o apoio de diversas entidades, incluindo Volkswagen Caminhões-Ônibus, Basf, Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, Banco do Nordeste, governos federal e da Bahia, BDI, FIEB e CNI, consolidando a parceria estratégica entre Brasil e Alemanha.







