O setor de autopeças brasileiro enfrenta um revés inesperado em 2025: as importações, que o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) projetava uma queda de 6,8%, registraram alta de 15,2% nos primeiros oito meses do ano. Os números, divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), revelam um crescimento de US$ 13,7 bilhões em janeiro a agosto de 2024 para US$ 15,8 bilhões no mesmo período deste ano, ampliando o déficit comercial do segmento para US$ 10,4 bilhões – um aumento de 19,3% em relação a 2024.
A expansão é impulsionada principalmente pela entrada agressiva de montadoras chinesas no mercado nacional. Marcas como Great Wall Motors (GWM), que já opera uma fábrica em Iracemápolis (SP), e BYD, que inicia montagem via sistema SKD (semi-knocked down), demandam estoques massivos de componentes importados para abastecer linhas de produção locais. “A nacionalização gradual prometida por essas empresas ainda está em fase inicial, o que pressiona as importações enquanto a indústria doméstica luta para se adaptar”, analisa um relatório do Sindipeças.
A China lidera o ranking de fornecedores, com participação de 18,4% no total importado (US$ 2,9 bilhões em 2025, alta de 19,6% ante 2024), seguida por Estados Unidos (10,6%, US$ 1,67 bilhão, +12,8%), Japão (9%, US$ 1,42 bilhão, +26,1%), Alemanha (8,9%, US$ 1,4 bilhão, +10,6%) e México (7,4%, US$ 1,17 bilhão, +18,1%). Curiosamente, todos os 20 principais países exportadores para o Brasil registraram crescimento nas vendas ao país até agosto. As exportações brasileiras, por sua vez, somaram apenas US$ 5,4 bilhões, destacando a vulnerabilidade do balanço comercial.
Especialistas alertam para os riscos de desindustrialização acelerada, pois essa dependência externa compromete investimentos em inovação e empregos locais, especialmente em um ano de recuperação pós-pandemia. O Sindipeças, agora, revisa suas projeções para o fechamento do ano. O cenário reforça o apelo por políticas de incentivo à produção nacional, em meio a negociações bilaterais com a China.






