Da esq. p/ dir.: Edson Martins, diretor Comercial e de Marketing da Agrale, Daniel Randon, presidente da Randoncorp, Jussara Ribeiro, presidente do Instituto Besc de Humanidades e Economia, Igor Calvet, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e Presidente de Honra do F&FV 2025, Rafael Cervone, vice-presidente da FIESP e presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP), Renata Isfer, presidente-executiva da Associação Brasileira do Biogás (Abiogás) e Adriano Rishi, presidente da Cummins Brasil

Descarbonização do transporte exige coordenação entre infraestrutura, inovação e políticas de longo prazo

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Na abertura do 14º Seminário Internacional Frotas & Fretes Verdes (F&FV), realizado na última quinta-feira, 6/11, Igor Calvet, presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e presidente de honra do evento, ressaltou que o país possui uma vantagem competitiva natural no cenário da transição energética, ao afirmar que “o setor de transporte é responsável por cerca de 13% das emissões de CO₂ no Brasil, mas temos 90% da matriz elétrica e 50% da matriz energética de origem renovável. É um diferencial estratégico — o desafio está em transformar esse potencial em realidade econômica e ambiental”.

Promovido pelo Instituto Besc de Humanidades e Economia, Frotas & Fretes Verdes 2025 reuniu em São Paulo lideranças empresariais, autoridades públicas e especialistas para discutir os caminhos da transição energética e da descarbonização da mobilidade. Realizado na sede da FIESP, o evento reafirmou o papel do Brasil como uma das referências globais no debate sobre eficiência logística, inovação e infraestrutura verde.

Adriano Rishi, presidente da Cummins Brasil, reforçou a importância da pluralidade tecnológica como caminho para a descarbonização do transporte. “A transição energética não será linear. Ela exige colaboração, inovação e pluralidade tecnológica — combinar diferentes soluções é o que vai acelerar o processo e ampliar o impacto positivo no setor”, destacou.

A presidente-executiva da Associação Brasileira do Biogás (ABiogás), Renata Isfer, apontou o avanço do biometano como vetor-chave de descarbonização da frota pesada, enquanto Rafael Cervone, vice-presidente da FIESP e presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP), defendeu o fortalecimento do financiamento verde e da governança setorial. Daniel Randon, presidente da Randoncorp, completou esta solenidade, destacando que a sustentabilidade precisa ser transversal, “integrando indústria e logística sob uma mesma estratégia de inovação e eficiência”.

Infraestrutura resiliente e financiamento sustentável 

O primeiro painel técnico, mediado por Ramon Alcaraz, CEO da JSL, tratou dos Desafios Estruturais na Cadeia Logística, Políticas Públicas, Regulação e Financiamento Verde, reunindo Danielle Bernardes, gerente-executiva de Infraestrutura da Confederação Nacional do Transporte (CNT); Edson Dalto, superintendente de Infraestrutura do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); Ricardo Portolan, diretor de Operações Comerciais, Marketing e Sustentabilidade da Marcopolo; e Marisa Barros, assessora técnica da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Governo do Estado de São Paulo.

Danielle apresentou um panorama da infraestrutura rodoviária brasileira, ressaltando que apenas 12,4% da malha nacional é pavimentada, enquanto 65% das cargas ainda circulam por rodovias. “Nos últimos dez anos, a malha pavimentada cresceu apenas 2%, enquanto a frota aumentou 46%. Essa defasagem eleva o custo do frete em até 32% e amplia as emissões e os índices de acidentes”, explicou.

Na sequência, Edson Dalto destacou a importância de incorporar a resiliência climática aos projetos de infraestrutura. Segundo ele, “cada dólar investido em obras que consideram adaptação climática gera uma economia de até nove dólares no futuro”. Dalto defendeu que o financiamento à infraestrutura precisa incluir de forma estrutural ações voltadas à mitigação e à adaptação às mudanças climáticas, diante da crescente frequência de eventos extremos.

Ricardo Portolan, da Marcopolo, ressaltou o papel do transporte coletivo como instrumento central da redução de emissões, destacando o avanço da empresa em soluções elétricas, híbridas e a gás. Encerrando o painel, Marisa Barros apresentou as políticas públicas do Governo de São Paulo para o setor, com destaque para os incentivos ao uso do biometano — que inclui isenção de IPVA para veículos a GNV e biometano até 2029 — e o potencial produtivo estadual estimado em 6,4 milhões de m³ por dia.

Integração como caminho

O evento reforçou que a descarbonização do transporte depende menos de uma “revolução tecnológica” isolada e mais de coordenação sistêmica entre infraestrutura, financiamento e inovação. Com uma matriz elétrica limpa e base industrial madura, o Brasil se apresenta como um laboratório global de soluções multitecnológicas, capaz de unir sustentabilidade e competitividade. O sucesso, contudo, dependerá da capacidade de transformar esse potencial em políticas, investimentos e parcerias de longo prazo, que garantam previsibilidade e escala à transição energética no país.

A íntegra da transmissão do evento está disponível no canal oficial do Instituto Besc: https://www.youtube.com/live/7aXeG2lj3gM

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