Mulheres na indústria de transportes: diversidade que impulsiona resultados e inovação

3 minutos de leitura

Por Vicente Abate

Março é um mês que convida à reflexão. O Dia Internacional da Mulher vai além das homenagens simbólicas e nos chama a analisar, com dados e responsabilidade, o papel estratégico das mulheres em setores fundamentais para o desenvolvimento econômico — como o transporte e a indústria ferroviária.

Estudos internacionais reforçam que a participação feminina no setor de transportes ainda é limitada, especialmente em funções técnicas, operacionais e de liderança. O relatório “Addressing Barriers to Women’s Participation in Transport” (2025), publicado pelo World Bank Group em parceria com o Asian Development Bank, a German Agency for International Cooperation, o European Investment Bank e o International Transport Forum, aponta que as mulheres representam menos de um quarto da força de trabalho global no setor de transportes. O estudo está disponível para consulta pública no site do Banco Mundial.

Mais do que um dado estatístico, esse cenário revela uma oportunidade. O próprio relatório destaca que organizações com maior diversidade de gênero tendem a apresentar melhores resultados em governança, inovação, segurança e desempenho operacional.

No contexto do transporte ferroviário, essa discussão é ainda mais relevante. Trata-se de um setor estratégico para a logística nacional, intensivo em engenharia, planejamento e decisões de longo prazo. A ampliação da participação feminina contribui para ambientes mais colaborativos, processos mais eficientes e soluções mais sustentáveis.

O Brasil vive um momento decisivo para o fortalecimento da sua infraestrutura ferroviária, tanto no transporte de cargas quanto na mobilidade de passageiros. Para que esse avanço seja consistente, é fundamental investir não apenas em ativos físicos, mas também em capital humano qualificado, diverso e preparado para os desafios do futuro.

Valorizar a atuação das mulheres, promover ambientes de trabalho mais inclusivos e ampliar oportunidades de desenvolvimento profissional não é apenas uma pauta social. É uma decisão estratégica para a competitividade do setor e para o fortalecimento da indústria nacional.
Neste mês de março, a ABIFER reafirma seu reconhecimento a todas as mulheres que contribuem diariamente para o desenvolvimento da indústria ferroviária brasileira — na engenharia, na indústria, na operação, na gestão, na inovação e nos espaços de decisão.

Construir um setor ferroviário mais moderno, eficiente e sustentável passa, necessariamente, pela valorização das pessoas. E isso inclui reconhecer que a participação feminina é um dos pilares para o futuro do transporte e da indústria no Brasil.

Vicente Abate é Presidente da ABIFER – Associação Brasileira da Indústria Ferroviária

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