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Empresas aceleram revisão de créditos de PIS/Cofins diante da entrada da CBS e aumento da fiscalização digital

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Com início da fase operacional da Reforma Tributária em 2026, companhias ampliam auditorias fiscais, investimentos em automação e integração de dados para evitar perdas financeiras e preparar governança tributária para o novo modelo

A transição da Reforma Tributária para o modelo da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) entrou definitivamente na fase prática em 2026 e passou a pressionar empresas de diferentes setores a revisarem estruturas fiscais, controles internos e créditos acumulados de PIS e Cofins. Essa corrida ocorre em meio ao cronograma de implementação do novo sistema tributário, que prevê a extinção definitiva desses tributos em 2027.

Na prática, companhias começaram a acelerar auditorias tributárias, revisão de processos e projetos de governança fiscal para evitar perdas financeiras durante a migração para o novo modelo. O tema ganhou relevância especialmente entre empresas que acumulam créditos tributários relevantes e que ainda enfrentam dificuldades relacionadas à rastreabilidade, documentação fiscal, parametrização de sistemas e revisão técnica de créditos.

A discussão também deixou de ser apenas tributária e passou a envolver diretamente áreas de tecnologia, dados, compliance e operações. A necessidade de rastreabilidade fiscal, integração entre ERPs, validação documental e cruzamento automatizado de informações ampliou investimentos em automação tributária, analytics e governança de dados fiscais dentro das empresas.

De acordo com Roberto de Lázari, diretor da All Tax, a transição passou a impactar diretamente o caixa, a eficiência operacional e a capacidade de gestão corporativa. E ele alerta: “Muitas organizações ainda possuem valores relevantes sem aproveitamento adequado por falhas operacionais, ausência de revisão técnica ou baixa integração entre áreas fiscal, financeira e tecnológica”.

A mobilização ganhou ainda mais atenção após a regulamentação da Lei Complementar 214/25, que estabelece regras para aproveitamento e compensação de créditos tributários na transição para o novo modelo da CBS. A expectativa do mercado é que bilhões de reais em créditos ainda precisem ser revisados, validados ou regularizados pelas empresas nos próximos meses.

O que empresas podem perder se não revisarem créditos antes da CBS?

Especialistas avaliam que 2026 deve se consolidar como a principal janela de preparação operacional antes da entrada definitiva da CBS em 2027. Empresas que demorarem para revisarem os créditos tributários poderão enfrentar impactos diretos no fluxo de caixa, aumento de passivos fiscais e até perda de eficiência financeira durante a adaptação ao novo sistema.

A estrutura fiscal das empresas está preparada para a CBS?

O avanço dos fiscos digitais e da fiscalização “quase” em tempo real também elevou o nível de exigência sobre qualidade de dados tributários e capacidade de comprovação fiscal das empresas. O cruzamento automatizado de informações fiscais, contábeis e financeiras ampliou a pressão sobre organizações que ainda operam com processos fragmentados e baixa integração de sistemas.

Segundo dados do Banco Mundial, empresas brasileiras ainda estão entre as que mais gastam tempo no mundo para lidar com obrigações tributárias, cenário que reforça a necessidade de simplificação operacional, automação e maior eficiência na gestão fiscal.

Para o diretor da All Tax, um dos principais desafios da transição está justamente na qualidade dos dados tributários e na integração entre sistemas corporativos. Em muitas organizações, informações fiscais ainda permanecem descentralizadas entre ERPs, planilhas, áreas operacionais e controles paralelos, dificultando rastreabilidade e aumentando risco de perda de créditos.

Roberto afirma que o problema não está apenas na legislação. “Muitas vezes a empresa até possui o direito ao crédito, mas não consegue comprovar corretamente a origem, validar documentos ou estruturar governança suficiente para sustentar esse aproveitamento futuramente”, explica.

Esse movimento atual no Brasil acompanha uma tendência que é global de digitalização tributária e já vem sendo observada em mercados da América Latina e Europa, como México, Chile, Itália e Espanha, onde governos já começaram a ampliar modelos de reporte eletrônico, compliance contínuo e fiscalização baseada em dados

Além da revisão fiscal tradicional, empresas também passaram a utilizar inteligência artificial e automação para identificar inconsistências tributárias, mapear créditos e acelerar análises fiscais em larga escala. A expectativa do mercado é que projetos ligados à governança tributária e integração de dados ganhem prioridade dentro das agendas de transformação digital ao longo dos próximos anos.

Para Roberto, as empresas que conseguirem estruturar desde agora uma governança tributária mais integrada tendem a transformar a transição em vantagem competitiva.

“A Reforma Tributária não impacta apenas cálculo de imposto. Ela exige revisão de processos, qualidade de dados, integração tecnológica e capacidade de gestão. Quem tratar isso apenas como obrigação fiscal pode perder eficiência, caixa e competitividade nos próximos anos”, completa. 

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