A indústria automotiva brasileira acendeu o sinal de alerta para o mercado externo, registrando um déficit inédito em sua balança comercial após muitos anos de superávit. No primeiro semestre de 2026, o Brasil importou 63 mil autoveículos a mais do que conseguiu exportar. Os embarques para o exterior despencaram 21,2% no acumulado dos seis meses, somando apenas 216,6 mil unidades. O principal fator para esse recuo severo foi o colapso do mercado argentino, que comprou quase 60 mil unidades a menos do Brasil no período, além da perda de espaço para concorrentes internacionais. Diante disso, a Anfavea projeta que as exportações fechem o ano com queda de 12,8%, revertendo totalmente a estimativa de janeiro, que previa alta de 1,5%.
Na outra ponta da balança, as importações ganharam velocidade histórica, acumulando 280,6 mil veículos emplacados no semestre, um crescimento de 22,8% que superou o ritmo dos modelos nacionais. Metade desse volume importado teve origem na China, que dobrou seus envios para o Brasil em apenas um ano, saltando de 70 mil para 140 mil unidades. O cenário gerou fortes críticas do presidente da Anfavea, Igor Calvet, que lamentou o fato de a recuperação do mercado interno estar sendo capturada por importações incentivadas por alíquotas abaixo da média mundial e pela montagem em regime SKD com isenção de imposto para eletrificados. Mesmo com o mercado interno aquecido e a produção nacional projetando o melhor resultado desde 2019 com 2,8 milhões de unidades, a força dos competidores chineses e mexicanos nos destinos tradicionais do Brasil continua limitando o potencial exportador do país.






