Mercado soma 4,45 milhões de veículos financiados entre janeiro e julho e reforça a importância de processos mais eficientes na concessão de crédito
O financiamento de veículos segue crescendo no Brasil, apesar dos juros altos e da maior cautela na concessão de crédito. Entre janeiro e julho, 4,45 milhões de veículos foram financiados no país, alta de 10% em relação ao mesmo período de 2025, segundo dados da Trillia. O avanço ocorre com a Selic em 14% ao ano e a inadimplência acima de 90 dias em 4,9% da carteira total do Sistema Financeiro Nacional em julho, maior nível da série do Banco Central.
Para a Tecnobank, empresa líder na transformação digital de registros de contratos de financiamento de veículos, o momento exige atenção para separar o risco efetivo de crédito de problemas provocados pelo processo de concessão. Com critérios mais rigorosos, falhas na troca de informações, conferências manuais e pedidos duplicados de documentos podem tornar a contratação mais longa e complexa, inclusive para consumidores com bom perfil de pagamento. “Em momentos de maior cautela, a qualidade da informação se torna ainda mais importante. A instituição precisa identificar com clareza onde existe risco de fato e onde há apenas uma dificuldade de processo. Quanto melhor essa leitura, maior a capacidade de tomar decisões consistentes sem criar obstáculos desnecessários para quem tem condições de assumir o financiamento”, afirma Cristiano Dantas, diretor de Negócios da Tecnobank.
A integração entre sistemas e a validação automática de informações podem reduzir esses entraves. Já os dados organizados e acessíveis diminuem solicitações repetidas e conferências manuais. “A análise de crédito continua criteriosa, mas passa a contar com informações mais consistentes para avaliar cada operação, reduzindo o peso de falhas operacionais na decisão sobre o cliente”, reforça Dantas.
Como o veículo funciona como garantia em grande parte dessas operações, o risco para a instituição também está relacionado à capacidade de recuperar o bem em caso de inadimplência. Esse é um dos pontos tratados pelo Marco Legal das Garantias, Lei nº 14.711, de 2023, que ampliou as possibilidades de recuperação extrajudicial de créditos e de execução de bens em alienação fiduciária. A legislação permitiu a adoção de procedimentos mais rápidos, sem a necessidade de recorrer exclusivamente à via judicial. Para as instituições financeiras, o tempo e os recursos necessários para recuperar uma garantia fazem parte dos custos e riscos associados ao financiamento, logo, processos mais ágeis e seguros podem reduzir incertezas e dar maior previsibilidade às operações de crédito.
“O crédito não precisa de menos cuidado, ele precisa de informações melhores e processos capazes de diferenciar um risco real de uma ineficiência operacional. Isso vale desde a análise do financiamento até uma eventual recuperação da garantia. Quanto mais eficiente for esse caminho, melhores são as condições para sustentar a oferta de crédito mesmo em períodos econômicos mais difíceis”, finaliza o executivo.






