No dia 9 de setembro, em Frankfurt, Alemanha, representantes de associações do mercado de reposição automotiva de todo o mundo reuniram-se durante a Automechanika Frankfurt para o Encontro Global do Direito ao Reparo (Right to Repair Global – R2R Global), reafirmando o compromisso conjunto com a proteção da liberdade de escolha do consumidor, a promoção da livre concorrência e a preservação do futuro do mercado independente de reposição automotiva (Independent Automotive Aftermarket – IAM).
Realizado conjuntamente pela FIGIEFA e pela Auto Care Association, o encontro reuniu organizações da Europa, América do Norte, América do Sul, África, Ásia e Oceania para avaliar os avanços obtidos, compartilhar experiências práticas e discutir a próxima etapa da mobilização global pelo Direito ao Reparo.
Ao longo dos anos, o Right to Repair Global Meeting consolidou-se como um importante fórum internacional para associações que representam reparadores independentes, distribuidores de autopeças, fornecedores, provedores de dados e consumidores. O encontro oferece aos representantes de diferentes regiões a oportunidade de comparar avanços regulatórios, compartilhar boas práticas e fortalecer a cooperação em defesa da reparação e manutenção independente de veículos.
Neste ano, o encontro teve como tema “Maintaining Engagement and Momentum” (“Mantendo o Engajamento e o Ritmo”), refletindo o crescente amadurecimento das iniciativas de Direito ao Reparo em todo o mundo e a necessidade de garantir avanços contínuos à medida que a tecnologia veicular evolui.
As discussões se concentraram nos avanços das campanhas nacionais pelo Direito ao Reparo, no impacto das novas tecnologias sobre a reparação de veículos e nos desafios decorrentes dessas transformações para os operadores independentes. Os participantes também discutiram maneiras de manter o engajamento à medida que as campanhas evoluem e de ampliar a cooperação da comunidade global diante de desafios comuns.
Brasil participa do movimento global e avança com o Direito ao Reparo no Congresso Nacional
O Brasil esteve representado no encontro por Marcelo Gabriel, diretor internacional da Aliança do Aftermarket Automotivo Brasil, e por Alcides Acerbi Neto, presidente do SICAP – Sindicato do Comércio Atacadista, Importador, Exportador e Distribuidor de Peças, Rolamentos, Acessórios e Componentes para Indústria e para Veículos no Estado de São Paulo, e vice-presidente da ANDAP – Associação Nacional dos Distribuidores de Autopeças.
A apresentação do projeto representa um avanço concreto de uma pauta defendida há anos pelo mercado independente brasileiro. O Direito ao Reparo é uma das causas institucionais da Aliança do Aftermarket Automotivo Brasil, coalizão que reúne entidades representativas de diferentes elos do mercado de reposição e reparação — fabricantes e comercializadores de autopeças, distribuidores, varejistas, reparadores e retificadores.
Nesse processo, a ANFAPE – Associação Nacional dos Fabricantes e Comercializadores de Autopeças para o Mercado de Reposição, presidida por Renato Fonseca, atua como porta-voz da Aliança para a pauta do Direito ao Reparo. O trabalho conta também com a atuação jurídica da Dra. Raquel Preto, responsável jurídica da ANFAPE e uma das profissionais que vêm conduzindo tecnicamente a defesa e a articulação do tema no Brasil.
A tramitação do PL coloca o Brasil em sintonia com uma discussão que avança internacionalmente e demonstra que a participação brasileira no encontro de Frankfurt vai além do intercâmbio de experiências: o País também está transformando a mobilização do setor em ação institucional e legislativa concreta.
Para Marcelo Gabriel, o avanço brasileiro reforça a importância da união de toda a cadeia em torno da pauta.
“O Direito ao Reparo é uma causa que conecta toda a cadeia do aftermarket. Da indústria à distribuição, do varejo à oficina, todos dependemos de um ambiente no qual haja acesso à informação, às peças, às ferramentas e às tecnologias necessárias para manter os veículos circulando com segurança. O avanço dessa discussão no Brasil mostra que estamos fazendo a nossa parte e, ao mesmo tempo, conectados a um movimento que hoje é global”, afirma Marcelo Gabriel.
Para Alcides Acerbi Neto, a evolução tecnológica dos veículos torna essa discussão ainda mais relevante para a sustentabilidade futura do setor.
“A tecnologia está transformando o automóvel e, consequentemente, toda a cadeia de reposição. O Direito ao Reparo é fundamental para que essa evolução aconteça preservando a livre concorrência e a liberdade de escolha do consumidor. Estamos falando de uma cadeia que começa na indústria, passa pela distribuição e pelo varejo e chega à reparação. É essa integração que permite que o mercado independente continue forte, competitivo e preparado para o futuro”, afirma Alcides Acerbi Neto.
Associações e regiões representadas
Argentina: AFAC
Austrália: Australian Automotive Aftermarket Association
Brasil: Aliança do Aftermarket Automotivo Brasil
Canadá: Automotive Industries Association of Canada (AIA Canada)
Chile: CAREP
Colômbia: ASOPARTES
África do Sul: MIWA e Right to Repair South Africa
Estados Unidos: Auto Care Association, ETI e MEMA
Uruguai: CTMA
Venezuela: CANIDRA
Organizações europeias e internacionais: ADPA, CLEPA, EGEA, FIA Region I, FIGIEFA, GVA e Insurance Europe
Novos participantes: o encontro deste ano também recebeu a EMPTA – Engineering & Motor Parts Traders Association of Malaysia, da Malásia.
Movimento ganha força em todo o mundo
Os participantes compartilharam atualizações sobre a situação das iniciativas de Direito ao Reparo em suas respectivas jurisdições. Embora o estágio de desenvolvimento das campanhas varie significativamente entre os mercados, foram relatados avanços contínuos em todo o mundo, desde iniciativas voltadas à conscientização e à formação de coalizões até propostas legislativas, revisões regulatórias e ações destinadas a garantir o cumprimento das normas.
Um dos principais temas do encontro foi a rápida transformação do mercado de reposição automotiva. Muitos dos desafios atuais vão além das atividades tradicionais de reparação e estão cada vez mais relacionados ao acesso a informações técnicas, telemática, codificação de peças e garantia efetiva dos direitos de reparação.
Embora os marcos regulatórios sejam diferentes entre as regiões, essas questões estão surgindo globalmente e transformando as condições de concorrência para os operadores independentes.
Uma sessão específica sobre tecnologia e acesso a dados analisou como a eletrificação, a conectividade e a digitalização estão modificando o mercado de reposição e o que os operadores independentes precisarão para permanecer competitivos nos próximos anos.
Os participantes também trocaram experiências sobre como manter o engajamento e a mobilização ao longo das diferentes jornadas pelo Direito ao Reparo, compartilhando exemplos de campanhas de advocacy, iniciativas de pesquisa, ações de conscientização e formação de coalizões.
As discussões destacaram a importância da defesa baseada em evidências, da comunicação eficaz e do envolvimento contínuo das partes interessadas para o avanço dos objetivos relacionados ao Direito ao Reparo.
Proteção à reparação independente e à liberdade de escolha do consumidor
Os participantes reafirmaram que estruturas eficazes de Direito ao Reparo contribuem para garantir um ecossistema competitivo no mercado de reposição automotiva, beneficiando proprietários de veículos, empresas independentes e a economia de maneira mais ampla.
Também destacaram que os consumidores devem continuar tendo liberdade para escolher onde realizar a manutenção e o reparo de seus veículos, enquanto os operadores independentes devem ter acesso às informações, ferramentas, funcionalidades de software e dados dos veículos necessários para competir em condições equitativas e continuar oferecendo serviços acessíveis e de alta qualidade.
Próximos passos
Olhando para o futuro, a comunidade global do Direito ao Reparo continuará trabalhando de forma conjunta para promover soluções regulatórias que apoiem a inovação, a liberdade de escolha do consumidor, a sustentabilidade, a competitividade das pequenas e médias empresas e o acesso justo ao ecossistema veicular, cada vez mais digital.
Os participantes concordaram em manter uma estreita cooperação após o encontro realizado em Frankfurt e continuar compartilhando experiências, pesquisas e avanços em políticas públicas à medida que as iniciativas pelo Direito ao Reparo avançam em diferentes partes do mundo.







