Um movimento inédito transformou a dinâmica do setor automotivo nacional ao registrar a liderança da Região Nordeste sobre o Sudeste no volume total de aquisições de motocicletas no país. Informações apuradas pela Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares, por meio dos registros oficiais do Renavam, confirmam que a fatia nordestina atingiu 33,2% das comercializações do varejo ao longo dos primeiros nove meses de 2026, somando o montante de 592,5 mil unidades licenciadas.
Essa ascensão reflete reconfigurações profundas nos padrões de locomoção e geração de renda da população brasileira. A dominância do Sudeste, construída ao longo de décadas em razão da sua concentração demográfica e poder econômico, cedeu espaço a fatores impulsionadores observados no Nordeste, onde se destacam a busca por soluções de transporte individual de menor custo, a expansão dos serviços de logística por aplicativo e os desafios de mobilidade enfrentados nos centros urbanos e no interior.
No panorama nacional de vendas por região, o Nordeste manteve a ponta com as 592,5 mil unidades, seguido de perto pelo Sudeste, que ocupou o segundo lugar com fatia próxima a 32,5%. As demais posições ficaram distribuídas entre o Sul, que somou 233,1 mil emplacamentos e 13,0% do mercado, o Norte, responsável por 214,0 mil registros e 12,0%, e o Centro-Oeste, que fechou o ranking com 163,7 mil veículos e 9,2% de participação.
Os hábitos de consumo locais evidenciam o caráter funcional do veículo de duas rodas, amplamente utilizado no cotidiano de trabalho e na mobilidade diária. Modelos de entrada e média utilidade, pertencentes aos segmentos Street e Trail de baixa cilindrada, representaram expressivos 78,8% de toda a fabricação nacional no intervalo analisado, impulsionados pela alta eficiência energética, mecânica simples e facilidade de circulação em diferentes tipos de piso.
Considerando o contexto nacional, o Brasil acumulou a comercialização de 1,78 milhão de motos no decorrer dos nove primeiros meses de 2026, o que equivale a um avanço de 10,5% em comparação com o mesmo intervalo do ano anterior. Diante desse crescimento sustentado pela força do Nordeste, a entidade representativa do setor atualizou suas expectativas anuais para atingir 2,35 milhões de emplacamentos no país e uma produção concentrada no Polo Industrial de Manaus estimada em 2,1 milhões de unidades.







