Nos primeiros dez dias úteis de fevereiro o setor de automóveis e comerciais leves vendeu 60.126 unidades, registrando um crescimento de 2,01% em relação ao mês de janeiro e uma queda de 27,11% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
A média diária na parcial de fevereiro é de 6.013 unidades, os dados atuais projetam vendas entre 126 mil até 135 mil veículos, se o ritmo de vendas permanecer o setor vai encerrar o mês com uma queda nas vendas acumuladas de aproximadamente 24%.
O resultado da parcial de fevereiro pode ser parcialmente justificado pelo baixo volume de estoques. Em janeiro o setor produziu apenas 134.629 veículos (autos e leves), o baixo volume produzido segundo a Anfavea, foi ocasionado pela escassez de semicondutores e pelo aumento nos casos de contaminação pelo Covid.

Obviamente o setor está sendo impactado pela escassez dos semicondutores, mas a queda nas vendas e na produção são também um reflexo dos aumentos dos preços, elevação das taxas e uma opção por redirecionar a produção para modelos de maior valor agregado.
Quando abrimos o resultado de vendas de 2021 percebemos um crescimento no volume e participação dos veículos importados, temos que lembrar que muitos dos modelos vendidos no Brasil vem de nossos vizinhos do Mercosul, principalmente alguns comerciais leves e furgões. Somente a Toyota vendeu em 2021 quase 60.000 veículos produzidos na Argentina, ou seja 35% de suas vendas. Esse aumento das importações do Mercosul propiciou para a Argentina fechar 2021 com um crescimento em sua produção de 69% ante o caótico 2020, foram exportados para o Brasil em torno de 171 mil automóveis e comerciais leves, a projeção da ADEFA para a produção Argentina é um crescimento de 28% em 2022.
Mas calma que o setor não está em declínio e ainda temos espaço para crescer, as dificuldades em aumentar a produção continuam sendo o principal entrave para uma recuperação.
Os estoques das concessionárias estão desalinhados, faltam muitos modelos e versões, a queda nos fluxos de lojas relatados por alguns concessionários é um alerta para corrigir e ajustar algumas políticas comerciais e estratégias financeiras. Isso não é um indicativo que teremos uma redução de preços expressiva, pois ainda existe uma grande demanda reprimida, alguns modelos tem fila de espera de seis meses e o setor de locação permanece sendo um bom comprador.

Estamos apenas na metade do mês, existindo espaço e tempo para ações comerciais que propiciem uma aceleração das vendas na segunda quinzena, mas no curto prazo ainda vamos sofrer com a dificuldades em aumentar a produção.
Montadoras e instituições financeiras tendem a criar produtos que aumentem o fluxo de loja, a cartilha é antiga e está sempre presente com uma opção, prazos maiores, taxas subsidiadas, parcelas mais baixas no início do financiamento com diluição do saldo no final dos contratos.
As vendas de seminovos registraram em janeiro uma queda de 27,35% ante o mesmo período do ano anterior, este setor encerrou 2021 com o seu melhor resultado da história, a queda nas vendas na comparação com um mesmo período é mais um alerta para a necessidade de correções e novas ações.
MERCADOS GLOBAIS

No comparativo acima é possível analisar as tendências do setor a nível Global, principalmente quando comparamos com o período pré pandemia.
O Brasil encerrou janeiro com uma queda superior a média Global, em nosso caso além das dificuldades com os componentes eletrônicos, o mês teve o agravante do excesso de chuvas, aumento de casos da nova variante do Covid e a suspenção da produção de diversos modelos pela implantação do Programa Proconve PL7 (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores).
Todos os mercados seguem sendo afetados pela escassez dos semicondutores, no caso do Brasil o aumento da inflação tem sempre um remédio amargo que é a elevação dos juros, variável que pode comprometer o desempenho do setor em 2022.
RANKING DE PARCIAL FEVEREIRO 14.02.2022

A Fiat fecha os primeiros dez dias úteis de fevereiro isolada na liderança, sua participação de mercado está quase 10 pontos percentuais acima do segundo colocado, seu volume de vendas cresce 27% em relação ao mês anterior e anota uma queda de 19,40% em comparação com o mesmo período de 2021, seus modelos mais vendidos na parcial são, Strada na 2ª posição, Mobi na 3ª e o Argo na 5ª. A modalidade de vendas diretas está representando 62% do seu volume, a marca não informou nenhuma paralisação da produção.
A GM está com a 2ª posição, ainda longe de seus melhores dias e com uma participação de mercado limitada às reduções na produção. Seu principal modelo de vendas o Onix é líder na parcial do mês. A montadora informou que vai suspender à partir do dia 20 a produção da sua unidade de Gravataí por 30 dias, lembrando que nessa fábrica é que são produzidos o Onix e Onix Plus.
A Toyota turbinada pelas vendas do Corolla Cross fecha o trio da parcial.
O retorno da produção do Gol pela VW, deve auxiliar a marca a melhorar sua performance na segunda quinzena, a montadora alemã que teve longas férias coletivas, permanece com sua unidade de Taubaté em um único turno de produção.
RANKING DE MODELOS DE AUTOMÓVEIS E COMERCIAIS LEVES
Depois de longos meses fora da liderança o Onix está de novo na 1ª posição, infelizmente a paralisação da produção da unidade de Gravataí vai mais uma vez comprometer as vendas do modelo, chega a ser quase que inexplicável a longa dificuldade da marca em ajustar a produção, essa unidade ficou com a produção suspensa por quase seis meses em 2021, foi disparada a montadora que mais tempo ficou com a produção suspensa, torcemos para uma solução breve, pois a marca é muito importante para o segmento e para o Brasil.
A segunda posição do mês está com a Strada, no acumulado ela permanece na 1ª posição.
O Fiat/Mobi fecha o trio da parcial do mês, 62% dos emplacamentos do modelo foram em Minas Gerais, indicando concentração em vendas para as locadoras.
O SUV mais vendido na parcial do mês é o Corolla Cross, no acumulado ele está 5ª posição, a liderança no acumulado está com o Jeep Compass.
A liderança no acumulado das Pick-ups grandes/médias é da Fiat/Toro, seguida pela Toyota/Hilux e da GM/S10.

GRÁFICOS ADICIONAIS









