A crise dos semicondutores continua a limitar o crescimento do setor de automóveis e comerciais leves, no mês de agosto foram vendidos 158.458 unidades, registrando uma queda em relação ao mês anterior de 2,43%, é o menor volume de vendas registrado no mês de agosto desde o ano de 2005.

Quando comparado com o mesmo período do ano anterior, o setor anota uma queda de 8,69%, destacando que naquele mês tivemos um dia útil a menos, sendo assim a queda na média diária é de 12,84%, a menor média do ano.
Ao contrário de outras crises, o setor não enfrenta uma queda na demanda, as filas de esperas principalmente das locadoras já superam mais de 200 mil unidades, o problema está na dificuldade em aumentar a produção pela falta dos semicondutores.

As vendas acumuladas totalizaram em agosto 1.327.545 veículos, anotando um crescimento em comparação com o mesmo período do ano anterior de 20,70%.
O volume de vendas acumuladas no mês de agosto é comparável com o ano de 2016, quando foram vendidos 1.303.987 veículos.
As constantes paralisações das montadoras pela falta dos semicondutores já comprometeram a produção no Brasil em mais de 250 mil veículos, a nível global um estudo da IHS alerta para um corte da produção em até 7,1 milhões de veículos em 2021.
Um dos pontos críticos na cadeia dos semicondutores é a concentração da produção, a TSMC (Taiwan) e Samsung Electronics da Coreia do Sul, detém juntas 70% da produção Global.
Em fevereiro desde ano o Governo Biden assinou uma ordem executiva que envolve uma revisão da cadeia de suprimentos de semicondutores para identificar riscos. Foram destinados US$ 54 bilhões à fabricação e pesquisa de semicondutores.
A Intel anunciou que vai investir US$20 bilhões para construir duas novas fábricas nos EUA e a TSMC anunciou a investidores que pretende investir US$100 bilhões nos próximos 3 anos para aumentar a capacidade produtiva de suas fábricas.
Mesmo com toda essa movimentação de investimentos no setor de semicondutores, a crise deve estender-se para o ano de 2022 e alguns estudos acham que só teremos uma normalização da cadeia de distribuição global em 2023.

RANKING DE MARCAS VENDAS MENSAIS
No ranking de vendas mensais de agosto fica evidenciado a dificuldade das montadoras em acelerar a produção, entre as marcas de volume seis fábricas registraram quedas nas vendas em relação ao mês anterior, o retorno parcial da produção da unidade da GM de Gravataí só deverá ter seus reflexos no mês de setembro, mas com certeza teremos novas paralisações no mês corrente.
O mês de agosto foi marcado pelas paralisações parciais das principais montadoras, a Fiat suspendeu a produção de um turno de sua unidade de Betim, a VW suspendeu a produção de sua unidade de Taubaté e um turno de sua unidade de São Bernardo do Campo, a GM retornou a produção em Gravataí mas permaneceu com a produção suspensa em São Bernardo do Campo, a Renault suspendeu a produção em São José dos Pinhais e a Toyota paralisou por 10 dias a produção em Sorocaba, todas foram afetadas pela falta dos semicondutores.
A liderança no mês ficou mais uma vez com a Fiat, vendendo 39.030 unidades, em comparação com o mês anterior a marca italiana registrou uma queda de 10,65%, seu Market Share mensal teve uma leve queda, mas permanece com grande vantagem em relação aos seus concorrentes diretos, encerrando o mês com 24,63% de participação, no acumulado do ano suas vendas registram um crescimento em relação à 2020 de 85,48%. Para fechar o mês com chave ouro o trio de modelos mais vendidos em agosto é Fiat, com Strada em primeiro, Argo em segundo e Mobi em terceiro, a Toro ficou com a oitava posição.
A segunda posição no mês retornou para a VW, a marca alemã registrou um crescimento de 31,67% em comparação com o mês anterior, seu modelo mais vendido foi o VW/TCross ficando com a 7ª posição, a marca alemã teve o resultado do mês muito comprometido com as diversas paralisações de suas unidades.
A Toyota fecha o trio do mês, a marca japonesa teve como seu modelo mais vendido o Corolla Cross ficando com a 11ª posição, a Toyota Hilux ficou em 12º e o líder entre os sedan Corolla com a 13ª posição.
Destaque positivo do mês para a Honda, registrando um crescimento em relação ao mês anterior de 34,32%, entre as marcas Premium a BMW segue liderando e já acumula um crescimento no ano de 31,65%.

RANKING DE MARCAS VENDAS ACUMULADAS

No ranking de vendas acumuladas podemos analisar além do crescimento nas vendas o ganho e perda de participação de mercado.
A liderança nas vendas acumuladas é disparada da Fiat, sua participação de mercado está em 23,06%, seu crescimento de Market Share nesses oito meses equivalem as vendas somadas da Nissan, Ford, Chery e Mitsubishi, seu volume de vendas acumula um crescimento em relação ao ano anterior de 85,48%, a diferença para o segundo colocado é de 100.212 unidades, pelos dados atuais equivalem a 4 meses de vendas da VW.
A segunda posição é da VW, a marca que encerrou o ano de 2020 com uma ótima performance, vem sofrendo muito com a falta dos semicondutores, sua participação de mercado teve uma queda de 8,53%, perdendo 1,53% de Market Share, seu volume de vendas cresceu 9,87%, ficando abaixo da média do setor.
A GM não está com a vida fácil, a marca americana é disparada a que mais está sentido a crise dos semicondutores, sua unidade em Gravataí permaneceu com a produção suspensa por quase 5 meses e todas as outras unidades tiveram interrupções parciais ou totais, mesmo assim seus planos de investimentos no Brasil de 10 bilhões para os próximos 5 anos foi confirmado já no início do ano, o retorno da produção do Novo Onix em Gravataí já deve ser percebido nas vendas de setembro, mas o caminho da recuperação será longo. O mês de setembro ainda não será um mês tranquilo para a marca, pois duas unidades fabris continuam com a produção parcialmente suspensa.
A Ford ainda figura entre as 10 marcas mais vendidas no acumulado, mas tende a ser superada pela Caoa Chery até o final de novembro, a marca que optou em encerrar sua produção no Brasil em 2021 despenca em todos os indicadores.
Destaques positivos para os excelentes desempenhos no acumulado da Jeep, Caoa Chery, Peugeot e Citroën, todas registrando forte ganho de participação de mercado e crescimento no volume de vendas acima da média do setor.

VENDAS POR ESTADOS

O Estado de São Paulo segue liderando as vendas acumuladas de automóveis e comerciais leves, mas pelo segundo mês consecutivo suas vendas mensais são superadas por Minas Gerais, foram vendidos no mês em São Paulo 33.737 veículos, a Fiat liderou as vendas no Estado com 5.700 unidades, seguida pela VW com 5.294 e fechando o trio do mês a Toyota com 3,380 veículos. Suas vendas acumuladas totalizaram em agosto 270.830 unidades, com uma participação de 21,86%, a marca que mais vendeu no acumulado foi a VW com 48.050 unidades, seguida pela Fiat com 42.970 e fechando o trio dos paulistas a Hyundai com 33.220 unidades vendidas.
Os mineiros seguem com vendas turbinadas pelas locadoras, no mês de agosto foram vendidos no Estado 35.710 veículos, a marca preferida no mês em Minas Gerais foi a Fiat, com 13.550 unidades, seguida pela VW com 5.540 e fechando o trio a Hyundai com 3.038. No acumulado os mineiros permanecem na segunda posição com 248.712 veículos, suas vendas registraram um crescimento no ano de 34,81%, a marca mais vendida no acumulado é também a Fiat com 111.250 veículos, seguidas distante pela VW 43.200 veículos.

Ranking de modelos de automóveis e comerciais leves.

A Fiat/Strada retorna para a primeira posição no ranking de agosto com 9.111 unidades vendidas, suas vendas foram bem distribuídas em todos os Estados, sendo 21,85% concentradas em Minas, 16,58% em São Paulo, em relação ao mês anterior o comercial leve registrou queda nas vendas de 3,47%. No acumulado do ano o modelo está com folga a primeira posição, anotando um crescimento em comparação com o ano anterior de 108,95%.
A segunda posição ficou com o Fiat/Argo com 7.711 unidades vendidas, suas vendas foram concentradas 36% no Estado de Minas Gerais, no acumulado o modelo superou o Hyundai HB20 e ficou com a segunda posição.
Na terceira posição do mês temos outro Fiat, o Mobi encerrou o mês com 7.538 unidades vendidas, 45% de suas no mês foram realizadas em Minas Gerias, indicando concentração em vendas para as locadoras.
No ranking de agosto 60% dos modelos analisados registram quedas nas vendas em relação ao mês anterior, justificado parcialmente pelas constantes paralisações na linhas de produção.
Durante a semana vamos analisar as vendas por modalidades e vamos divulgar o ranking dos modelos elétricos e híbridos mais vendidos em 2021.
Outras análises serão feitas após a divulgação dos dados da Anfavea.







