Aumovio: Continental reestrutura divisão automotiva para liderar o futuro da mobilidade

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O Grupo Continental anunciou a reestruturação de sua divisão automotiva, agora chamada Aumovio, em um movimento estratégico para reforçar sua posição no setor de mobilidade avançada. A mudança foi revelada em 23 de abril de 2025, durante a Auto Shanghai, um dos principais salões automotivos do mundo, marcando o início de uma nova fase para a unidade que emprega cerca de 92 mil profissionais globalmente e registrou faturamento de €19,4 bilhões em 2024.

A nova marca Aumovio reflete a fusão do legado de 154 anos da Continental, fundada em 1871, com o objetivo de liderar a transição para veículos definidos por software, conectividade autônoma e soluções de segurança inovadoras. Segundo Philipp von Hirschheydt, CEO da divisão automotiva e membro do Conselho Executivo da Continental, a empresa está focada em se tornar uma potência automotiva adaptável, com a nova identidade simbolizando essa ambição. A Aumovio concentra-se em tecnologias como eletrônicos avançados, sensores, sistemas de frenagem, displays e plataformas de software, atendendo a uma demanda global que, conforme análise da consultoria Berylls, deve crescer 4,7% ao ano por veículo até 2029, superando o ritmo de produção mundial de automóveis leves, segundo projeções da S&P Global Mobility.

Aprovado na Assembleia Geral Anual da Continental em 25 de abril de 2025, o spin-off da divisão automotiva culminará na listagem da Aumovio na Bolsa de Valores de Frankfurt em setembro de 2025, garantindo maior autonomia financeira e operacional. Essa independência visa acelerar inovações, especialmente em mercados emergentes. Na China, onde a Continental opera há 30 anos, gerando 14% de suas vendas globais com cerca de 10 mil colaboradores locais, a Aumovio adota a estratégia de desenvolver soluções específicas para o mercado local. Durante a Auto Shanghai, foram apresentados os sistemas de assistência ao condutor Luna e Astra, desenvolvidos em parceria com a Horizon Robotics. O Luna oferece frenagem de emergência e estacionamento automatizado básico, enquanto o Astra permite condução assistida em rodovias sem depender de mapas de alta resolução, utilizando inteligência artificial para decisões em tempo real.

O setor automotivo reconhece o potencial da Aumovio. Um relatório da Mexico Business News destaca que a nova marca reflete um foco em tecnologias emergentes, como inteligência artificial, arquiteturas zonais e computação quântica, posicionando a empresa para atender às demandas das montadoras globais. No México, centros de pesquisa e desenvolvimento com mais de 1.500 engenheiros trabalham em sensores e algoritmos para frenagem autônoma. Nos Estados Unidos, as fábricas em Morganton, na Carolina do Norte, que produzem sistemas de frenagem e suspensão para 25% do mercado norte-americano, já adotaram a identidade Aumovio, empregando 400 trabalhadores e gerando cerca de US$ 750 milhões anualmente.

No Brasil e na América Latina, a Aumovio vê oportunidades com o crescimento de veículos elétricos e conectados, cuja produção automotiva na região deve aumentar 3% ao ano até 2030, segundo a Anfavea. A empresa planeja fortalecer parcerias locais, como as mantidas com montadoras em São Paulo e Betim, investindo em cadeias de suprimentos regionais para atender à demanda por soluções autônomas e seguras, conforme indicado por von Hirschheydt em entrevista à Automotive News Europe.

Apesar dos avanços, a divisão automotiva da Continental enfrentou margens reduzidas nos últimos anos devido à escassez de semicondutores e à concorrência chinesa. No entanto, analistas projetam que a independência da Aumovio pode levar a um EBITDA ajustado de €2,5 bilhões em 2026. A Highways Today observa que a Aumovio representa uma revolução para a mobilidade sustentável e conectada, indo além de uma simples mudança de nome.

Com o IPO iminente, a Aumovio surge como herdeira da expertise da Continental e pioneira em um ecossistema automotivo digital. O mercado determinará se essa estratégia consolidará a liderança da empresa na mobilidade do futuro ou exigirá ajustes no caminho.

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