Durante o seminário “Gás para Empregar”, realizado nesta segunda-feira (16) na sede da FIESP, o Ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou medidas concretas para fortalecer a matriz energética nacional e acelerar o processo de descarbonização do setor de transportes. Entre os destaques está a proposta de aumentar a mistura de etanol anidro na gasolina dos atuais 27% para 30%, e a elevação da mistura de biodiesel no diesel de 14% para 15%.
A decisão, que será encaminhada ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), vem amparada por estudos técnicos conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia. Os dados apontam que a nova composição da gasolina não só garante segurança veicular e eficiência energética, como também traz benefícios econômicos imediatos, com potencial de redução de até R$ 0,13 por litro no preço final ao consumidor.
Silveira destacou que a mudança é parte de uma estratégia mais ampla de valorização da bioenergia nacional e que o etanol é um ativo estratégico do Brasil, não apenas do ponto de vista ambiental, mas também como instrumento de soberania energética. Segundo o ministro, a medida pode reduzir significativamente a dependência de combustíveis fósseis importados.
A previsão é que o aumento na mistura resulte em um incremento de até 1,5 bilhão de litros de etanol por ano, o que representa impulso direto ao setor sucroenergético, especialmente em estados como São Paulo, Minas Gerais e Goiás. O mesmo vale para o setor de biodiesel, que ganhará força com o avanço da mistura para 15%, promovendo ganhos na cadeia da soja e no agronegócio nacional.
Além dos impactos econômicos, a medida também se alinha aos compromissos do Brasil com a agenda climática global. O etanol brasileiro tem uma das menores pegadas de carbono do mundo, e sua ampliação na matriz contribui diretamente para as metas de redução de emissões até 2030, conforme os compromissos firmados no Acordo de Paris.
A medida foi bem recebida por representantes do setor industrial, energético e ambiental presentes no evento. A expectativa é de que o CNPE analise e aprove as propostas nas próximas semanas, possibilitando que as novas misturas passem a valer já no segundo semestre de 2025. O anúncio é visto como um sinal claro de retomada da política energética baseada em ciência, tecnologia e valorização do setor produtivo nacional.
A iniciativa do MME se soma a outras recentes movimentações do setor em defesa da mobilidade de baixo carbono, como o seminário promovido pelo MBCBrasil no Consulado Britânico na última semana, que também reforçou o papel dos biocombustíveis como solução imediata, eficaz e complementar à eletrificação veicular.
Com esse anúncio, o Brasil reafirma sua liderança global em bioenergia e mostra que é possível construir uma transição energética sustentável, acessível e alinhada às características únicas de sua matriz produtiva – com ganhos ambientais, industriais e sociais.







