O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex) decidiu manter a alíquota de importação em 25% para pneus de veículos de passeio, rejeitando o pedido da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip) por um salto para 35%. A medida, prorrogada por mais 12 meses a partir de 23 de setembro, equilibra interesses da indústria nacional e da proteção ao consumidor, mas reacende debates sobre a competitividade do mercado brasileiro.
A decisão atende a argumentos da Associação Brasileira das Indústrias de Pneus (Abidip), que destacou a dependência de importados para pneus populares – cuja produção local é insignificante e atende principalmente nichos premium. Alega que esses produtos garantem mobilidade acessível e segura para milhões de brasileiros, especialmente trabalhadores de baixa renda como taxistas e motoristas de aplicativos.
Dados do MDIC confirmam o peso das importações: elas dominam 64% do mercado nacional em julho de 2025, com preços despencando de US$ 2,94 por quilo em outubro de 2024 para US$ 2,76 em julho deste ano. A China, responsável por mais de 70% do volume importado, oferece itens até 40% mais baratos que concorrentes globais, o que pressiona fabricantes locais.
A Anip lamentou o desfecho, alertando que a tarifa atual “não freia o influxo chinês, comprometendo empregos, investimentos e a cadeia de fornecedores nacionais”. Já a Abidip celebrou a vitória para o bolso do consumidor, em um contexto de inflação controlada. Analistas preveem que o impasse pode escalar para novas rodadas de negociação no Camex, com olhos no calendário eleitoral de 2026.







