Texto Marcelo Cavalcante de Lima
E-mail consultores.cavalcante@gmail.com
O mês de setembro encerrou com um excelente resultado para o segmento de automóveis e comerciais leves, foi a melhor média diária do ano, número que sinaliza que poderemos encerrar o exercício atual com vendas acima de dois milhões de unidades.
No artigo desse mês vamos analisar o resultado de setembro no Brasil e nos principais mercados Globais e também divulgaremos a primeira prévia do mês de outubro.
Como sempre vamos rechear nossa discussão com diversos materiais para pesquisa, diagnóstico e projeções, teremos vários gráficos de séries temporais, um detalhamento das vendas por Estados com novas informações, projeções para o terceiro trimestre, análise das vendas de novas energias, vendas nos principais mercados, comparativos de marcas e modelos e muito mais.
Em nosso artigo analisaremos o crescimento das vendas diretas (atacado) e a queda na participação e volume da modalidade varejo, pontuando quais serão os impactos futuros nesse novo cenário.
Na análise do mercado Global além das informações de volumes de vendas, teremos novas projeções para o ano de 2023.
No final do artigo teremos uma prévia das vendas no Brasil com base no dia 15 de outubro.
Como sempre antes de analisarmos o mercado brasileiro, vamos dar uma rápida pincelada nos principais mercados Globais.
Desejo uma ótima leitura.
ANÁLISE GLOBAL, BASE SETEMBRO DE 2022
A venda de veículos de passageiros na China registrou um crescimento no mês de setembro de 33% em relação ao mesmo período do ano anterior, no acumulado do ano já foram vendidos 16.987 milhões de unidades, anotando um crescimento de 14,30% ante 2021.
O mercado chinês segue batendo recordes de vendas de veículos de novas energias, foram vendidos somente no mês de setembro 507 mil veículos elétricos e 168 mil veículos híbridos, no ano já foram comercializados 3.378 milhões de modelos elétricos e 985 mil modelos híbridos.
Os Estados Unidos anotaram um crescimento de 10% no mês de setembro, mesmo com essa aparente recuperação as vendas permanecem 12,69% abaixo do realizado em 2021, as projeções para o fechamento do ano são de 13,7 milhões de unidades, queda de 9% em comparação com o ano anterior.
O continente europeu teve uma recuperação no mês de setembro, mas os problemas na cadeia de fornecedores, o conflito na Ucrânia e a elevação nos custos de energia seguem limitando uma recuperação do setor. A maior queda no acumulado ante 2021 é da Itália 16,21%, seguida pelo Reino Unido 10,22%.
Um relatório divulgado em outubro pela S&P Global Mobily, aponta o risco de as montadoras Europeias terem uma queda na produção trimestral de mais de 1.000 milhão de unidades, em função da iminente crise de energia.
A LMC Automotive projeta que as vendas de automóveis permanecerão em 2023 abaixo dos níveis pré pandemia, o estudo aponta como principais fatores a continuidade dos problemas na cadeia de suprimentos, a queda na demanda, aumento da inflação, deterioração econômica global, crise energética na Europa, elevação de taxas de juros, aumentos de custos, elevação de preços dos automóveis.
COMPARATIVO DE VENDAS DE AUTOMÓVEIS E COMERCIAIS LEVES NO MÊS DE SETEMBRO – BRASIL
O mês de setembro encerrou com vendas totais de 180.424 unidades, registrando um crescimento em relação ao ano anterior 26,74%, na comparação com o mês de agosto o volume anotou uma queda de 7,07%, mas encerrou o mês com a melhor média diária do ano.
Pelo quarto mês consecutivo as vendas no varejo ficaram abaixo das vendas no atacado, a varejo vendeu no mês de setembro 85.539 unidades, participando com 47,41% do volume mensal e o atacado (vendas diretas) realizou 95.885 unidades, equivalente a uma participação de 52,59%.
A média diária de vendas do mês de setembro foi de 8.592 unidades, se excluirmos o mês de dezembro foi a melhor média desde novembro de 2020.
Os indicadores de crédito divulgados pela Anfavea refletem bem o atual momento do varejo, apenas 35% das vendas realizadas no mês de agosto foram financiadas, 65% das vendas foram à vista, para efeito de comparação antes da pandemia a média de vendas financiadas ficava acima de 51%.
COMPARATIVO DE VENDAS ACUMULADAS DE AUTOMÓVEIS E COMERCIAIS LEVES NO MÊS DE SETEMBRO – NOVOS E SEMINONOVOS – BRASIL
As vendas acumuladas de automóveis e comerciais leves novos totalizaram até o mês de setembro 1.395.158 unidades, representando uma queda em relação ao ano anterior de 5,08%, quando comparamos com o período pré pandemia o setor recua 27,90%, às projeções da Anfavea são de encerrarmos o ano com vendas totais acima de 1.994.000 unidades, número factível pelas projeções da entidade e pelos históricos de vendas no último trimestre do ano.
O setor de seminovos segue sendo um dos principais ativos das concessionárias, até setembro foram comercializados 7.145.432 autos e leves, esse volume representa uma queda de 16,50% na comparação com o ano anterior, lembrando que em setembro de 2021 às vendas do segmento bateram um recorde histórico.
A queda nas vendas do setor de usados é justificada principalmente pelo aumento nas taxas de juros, elevação nos índices de inadimplência, a tendência são os preços dos veículos usados baixarem nos próximos meses.
PRODUÇÃO DE AUTOMÓVEIS E COMERCIAIS LEVES – BRASIL
A produção de automóveis e comerciais leves no mês de setembro foi 189.007 unidades, este resultado ficou 18,82% acima do realizado no mesmo período de 2021, quando analisamos com o mês anterior a produção anota uma queda de 12,97%, parcialmente justificada pelo menor número de dias úteis.
No acumulado do ano já foram produzidos 1.615.863 automóveis e comerciais leves, registrando um crescimento de 6,32% em relação ao ano anterior, na comparação com o período pré-pandemia o setor recua 24,82%.
RANKING COMPARATIVO DE MARCAS SETEMBRO DE 2022 – BRASIL
A Fiat manteve a liderança no mês de setembro, suas vendas mensais registraram um crescimento de 34,04% em relação ao mesmo período do ano anterior, no acumulado a marca italiana recua 8,77%, mas anota um crescimento de 15,40% em relação ao período pré-pandemia. A diferença de mais de 100 mil veículos para o segundo colocado a deixa em uma situação confortável na liderança.
A GM segue seu caminho de recuperação, a marca americana ficou com a segunda posição do mês e no acumulado. Suas vendas totais anotam um crescimento de 26,56% na comparação com o ano anterior e uma queda de 41,09% em relação ao período pré-pandemia.
A VW fecha o trio do mês e do acumulado, o ano de 2022 marcou a marca alemã pelo excesso de paradas na produção, suas vendas acumuladas recuam 19,62% em relação ao ano anterior, a tendência caso não ocorram novas interrupções na produção é uma recuperação no último trimestre, com forte participação nas vendas do atacado.
Na linha Premium a liderança permanece com a BMW, o destaque do mês fica com a Audi que com seu bom volume de vendas de setembro sobe para segunda posição no acumulado do ano.
As vendas acumuladas do setor anotam uma queda de 5,08% em relação ao ano anterior e recuam 27,90% na comparação com o período pré-pandemia, número que fica dentro da média dos principais mercados do setor.
O setor que já vendeu em 2012 um volume total de 3.634.796 unidades, caminha para uma venda anual de aproximadamente 2.000 milhões de veículos, caso as projeções se confirmem serão vendas equivalentes ao ano de 2016.
É sempre importante ressaltar que todas as principais montadoras permanecem com seus ciclos de investimentos confirmados para o Brasil, mesmo sendo valores importantes para o crescimento de nossa cadeia produtiva, ficam muito distantes dos valores que estão sendo destinados em outros grandes centros nos processos de eletrificação, pesquisa e condução autônoma.
Em um levantamento divulgado em junho a Consultoria AlixPartners estimou que o setor vai investir 526 bilhões de dólares em veículos elétricos e baterias até o ano de 2026, o Brasil está fora dessa nova fase de investimentos.
A indústria de transformação precisa de constantes investimentos, o Brasil precisa definir urgente regras claras da transição para veículos de novas energias, esse processo exige pesquisa, criação de infraestrutura, planejamento e legislação.
De qualquer forma não podemos esperar que o setor decida sozinho quais serão os próximos passos, já tivemos essa experiência no passado quando eram produzidos no mercado interno modelos desalinhados com os avanços tecnológicos de outros grandes mercados.
ANÁLISE DE MARKET SHARE – BRASIL
No gráfico ao lado estamos atualizando o comparativo de Market Share em comparação com os períodos de 2021 e 2019.
Entre as marcas de volume a Fiat e a Jeep foram as marcas que tiverem maior ganho na comparação com o período pré-pandemia.
O Toyota caminha para encerrar o ano com sua melhor participação de mercado desde a sua chegada no Brasil.
A Honda segue sendo a marca de volume que mais perdeu participação de mercado, na comparação com o período pré pandemia, seu Market share atual é o menor desde 2004.
O crescimento da participação de mercado é um fator importante para garantir novos investimentos, mas ele deve vir sempre associado a uma política de preços que propicie a montadoras e concessionárias uma rentabilidade adequada e saudável.
Em um passado recente vimos a Ford derreter preços para locadoras para tentar garantir uma fatia de mercado, essa estratégia provou ser um total fracasso.
RANKING DE MODELOS ANÁLISE VAREJO E ATACADO (VD).
No comparativo acima conseguimos ver o ranking de modelos mais vendidos no mês e no acumulado e sua distribuição entre as modalidades varejo e atacado (vendas diretas).
O comercial leve Fiat/Strada segue liderando as vendas acumuladas, no mês de setembro o modelo foi o mais vendido no Brasil, suas vendas acumuladas totalizam 86.007 unidades, 30,53% de seu volume está concentrado no varejo e 69,47% no atacado (vendas diretas). Na comparação com o mesmo período de 2021, as vendas totais anotam um crescimento de 0,73%.
O Hyundai HB/20 é um bom referencial na mudança de estratégia da marca coreana, em 2021 o modelo encerrou o ano concentrando 84% de suas vendas no varejo, já em 2022 o varejo está participando apenas com 40,80% de seu resultado e 59,20% está concentrado no atacado, principalmente as locadoras, foi o modelo mais vendido em setembro no Estado de Minas Gerias. Na comparação com 2021 suas vendas acumuladas registram um crescimento de 5,36%.
O GM/Onix também é um outro referencial de mudança de estratégia, entre os anos de 2017 até 2019, foi o modelo mais comparado pelo segmento de locação, hoje o foco é o varejo, 70,95% de seu volume total é direcionado para essa modalidade. Suas vendas totais crescem 27,23% em comparação com o caótico ano de 2021.
VENDAS VAREJO E VENDAS DIRETAS POR MARCA
Pelo quatro mês consecutivo a modalidade do atacado supera o varejo, no acumulado do ano 52,53% das vendas foram varejo e 47,47% atacado (VD).
O volume de vendas do varejo está caindo 13,80% em relação ao ano anterior, enquanto o atacado cresce 6,87%.
O aumento na participação das vendas no atacado segue alavancado pelas compras das locadoras, o segmento de locação deve encerrar o ano com aquisições acima 450 mil veículos novos, o número pode superar a barreira das 500 mil unidades, caso as montadoras consigam atender parcialmente a demanda represada, estimada em aproximadamente 150 mil unidades.
A queda nas vendas do varejo tem impactos imediatos e futuros nas operações das concessionárias, de imediato com temos perdas de receitas de F&I, diminuição na captação de seminovos, queda nas vendas de acessórios, os impactos futuros são as perdas de receitas do setor de pós-vendas visto que as locadoras raramente realizam suas revisões e manutenções nas autorizadas.
Em contra partida o crescimento das vendas no atacado propicia novas oportunidades para lojas de auto peças e fábricas de peças de reposição, oficinas de manutenção terceirizadas, sistemas de rastreamento e logística, vendas de pneus, acessórios, ou seja, a cadeia transfere as receitas do pós-vendas e do F&I das concessionárias e montadoras para outras empresas e operações.
É importante destacar que algumas marcas como Toyota e Honda permanecem com o foco no varejo, dando prioridade para vendas realizadas e finalizadas em suas redes de concessionárias, esse é um sinal que o novo cenário não é justificado por mudanças significativas nos hábitos de consumo, sendo uma opção estratégica de algumas montadoras diante do atual momento econômico e das dificuldades em aumentar a produção.
Conforme sempre ressaltamos não existe uma estratégia certa ou errada, o que podemos afirmar com toda a certeza é que o segmento de locação está sendo fundamental para o crescimento e recuperação do setor automotivo.
RANKING DE MARCAS NOVAS ENERGIAS (ELÉTRICOS E HÍBRIDOS) – BRASIL
A venda de carros elétricos no Brasil registrou um crescimento em relação ao ano anterior de 337,69%, o volume acumulado mensal foi de 1.409 unidades e o acumulado é de 6.189 veículos, número ainda pequeno quando comparado com outros grandes mercados.
A Volvo continua liderando a venda de veículos elétricos com 1.420 unidades vendidas, mas o destaque do mês foi a liderança nas vendas da Chery, com um volume de emplacamentos de 596 unidades, na parcial de outubro o modelo emplacou apenas 19 veículos.
A segunda posição entre as marcas no acumulado é da Renault com 833 veículos, suas vendas estão concentradas nos modelos Kangoo e E-Kwid, eu particularmente gosto muito da proposta do E-Kwid compartilhando peças principalmente externas com sua versão a combustão, o que propicia ao consumidor uma redução de custos no caso de possíveis reparos.
A JAC fecha o trio do acumulado de setembro, foram vendidos no mês 79 unidades e suas vendas acumuladas são de 773 veículos.
Os modelos híbridos encerram o acumulado de setembro com 28.045 unidades, registrando um crescimento de 23,33% ante 2021.
No acumulado até setembro a liderança é da Toyota com 15.869 unidades, seguida pela Chery com 2.200 veículos e fechando o trio temos a BMW com 2.189 autos.
Conforme já mencionamos a eletrificação em um processo que envolve, infraestrutura de postos de carregamento, legislação, atração de investimento, pesquisa e planejamento industrial e tributário.
O que temos hoje são basicamente ações comerciais isoladas, sequer temos uma classificação clara e objetiva do desempenho ambiental dos modelos elétricos e híbridos, podendo inclusive termos versões híbridas mais poluentes que alguns de nossos modelos a combustão/Flex.
RANKING DE MODELOS ELÉTRICOS E HÍBRIDOS – BRASIL 30.09.2022
No gráfico acima segue o ranking atualizado de setembro de veículos elétricos e híbridos, a novidade do mês ficou por conta do emplacamento nos últimos dias do mês do modelo Híbrido Hyundai/IONIC, foram 238 unidades, esse lote foi emplacado em nome da locadora e sua comercialização será exclusiva pelo sistema de assinatura.
O Elétrico da Chery I-Car também teve um grande volume de emplacamentos em nome da locadora, das 728 unidades comercializadas 505 são para o atacado, o modelo está disponível para locação com preços a partir de R$3.028,00, com assinatura para 36 meses.
O modelo elétrico mais vendido no acumulado é o VOLVO XC40 com 942 unidades, esse modelo é comercializado a partir de R$329.950,00.
O modelo híbrido mais vendido é o Toyota/Corolla Cross com 9.783 unidades, seu sistema é híbrido é classificado como HEV/Flex, seu preço parte de R$200.290,00.
Apenas para efeito de comparação, somente no mês de setembro foram comercializados na China 507 mil veículos elétricos e 168 mil veículos híbridos, no ano já foram comercializados 3.378 milhões de modelos elétricos e 985 mil modelos híbridos.
A BYD vendeu na China no mês de setembro de 201.259 veículos de nova energia, sendo 94.941 elétricos e 106.032 híbridos.
VENDAS POR ESTADOS – BRASIL
O gráfico de vendas por Estados está com mais novidades, agora além dos volumes de vendas mensais e acumulados, podemos também visualizar o modelo mais vendido no mês, a marca mais vendida no ano e a participação no acumulado das vendas varejo e atacado.
O modelo GM/Onix liderou as vendas do mês de setembro em nove Estados (SC, BA, PE, CE, AM, PB, SE, AP), a Fiat/Strada ficou com a liderança em seis Estados (PR, GO, RN, RO, PI, AC), o terceiro modelo que mais liderou nos estados foi a Toyota Hilux (MT, PA, MS, MA, TO).
O Estado de Minas Gerais lidera as vendas acumuladas, com 347.007 veículos, suas vendas anotam um crescimento de 11,08% na comparação com o ano anterior, 82,41% de seus emplacamentos foram feitos na modalidade atacado, leia-se locadoras e grandes frotistas e apenas 17,59% são vendas no varejo, a marca que mais vende em Minas é a Fiat.
São Paulo está com a segunda posição nas vendas acumuladas, com 340.547 unidades, registrando um crescimento em relação ao ano anterior de 6,76%, a modalidade varejo participa com 53,45% das vendas e o atacado 46,55%, a marca mais vendida para os paulistas é a VW.
A Fiat lidera as vendas em 21 Estados mais o Distrito Federal, esse domínio deve ser ameaçado por GM e VW no próximo ano.
Com exceção de Minas Gerais e São Paulo, todos os outros Estados da Federação anotam quedas nas vendas acima da média nacional, nesse gráfico fica fácil perceber a importância do volume de vendas das locadoras no desempenho do setor em 2022.
PARCIAL DE OUTUBRO FECHAMENTO DA 1ª QUINZENA – BRASIL
As vendas de outubro na parcial da quinzena totalizaram 64.894 unidades, um crescimento de 14,46% em relação ao ano anterior e 0,66% na comparação com o mês de setembro.
A média diária nesse período é de 7.210 veículos, os dados atuais projetam vendas entre 175 mil até 185 mil unidades, o mês tem apenas 20 dias úteis, portando precisa acelerar na segunda quinzena.
No ranking de marcas nenhuma novidade no trio de liderança, com a Fiat em 1º, a GM em º e a VW na 3ª posição, o destaque é o excelente desempenho da Toyota nessa primeira quinzena, fechando com uma participação parcial de 10,75%.
No ranking de modelos temos um novo líder, a GM/Tracker com 3.799 unidades vendidas, anotando um crescimento de 31,27%.
Novas análise serão feitas no decorrer de outubro, desejo uma ótima leitura para todos.
GRÁFICO ADICIONAL







