Prefeitura de São Paulo veta novos ônibus a diesel na frota; custo é o desafio

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O Estado de S. Paulo 

A Prefeitura de São Paulo determinou que somente ônibus movidos a tecnologias sustentáveis, como os elétricos, poderão ser incorporados ao sistema de transporte público municipal a partir desta semana. A medida representa um veto à inclusão de veículos a diesel à frota, o que motivou a reação das empresas concessionárias do serviço.

As empresas não poderão mais comprar ônibus movidos a diesel e devem optar por tecnologias de redução de emissão de poluentes previstas na Lei 16.802/2018, sobre o uso de fontes motrizes mais sustentáveis. Com a determinação, a SPTrans, empresa responsável pelo transporte coletivo na capital, pretende aumentar o número de veículos elétricos para cumprir a meta estabelecida pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Até 2024, fim do mandato, a expectativa é de que 2,6 mil veículos movidos a energia elétrica estejam circulando por São Paulo. De acordo com o artigo 50 da Lei de Municipal de Mudanças Climáticas, em 2028 a capital paulista deverá atingir redução de 50% das emissões totais de dióxido de carbono (CO2) em relação aos índices de 2016.

Atualmente, a capital conta com 219 ônibus, sendo 201 trólebus e 18 de bateria, modelo mais bem alinhado à legislação. Para o Laboratório de Estudos do Veículo Elétrico da Unicamp, a frota de ônibus da cidade é de 14.052 veículos, que transportam 9 milhões de passageiros diariamente.

Dúvidas

Representantes das concessionárias apontam “questões ainda abertas” na determinação que entrou em vigor na segunda-feira. Uma das queixas se refere ao investimento inicial das empresas nos novos veículos. O ônibus elétrico, avaliado em R$ 2,4 milhões, custa três vezes mais que o modelo com motor a diesel (R$ 800 mil de acordo com os acessórios). “Além do investimento inicial mais elevado, o custo operacional de um ônibus elétrico é 10% a 15% maior”, estima Francisco Christovam, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SPUrbanuss).

A bateria é o item mais caro de um veículo elétrico, como explica Clayton Barcelos Zabeu, professor de Engenharia Mecânica no Instituto Mauá de Tecnologia (IMT). Hoje, o abastecimento de um ônibus de bateria demora 3 a 4 horas, mas, mesmo com esse longo período, os veículos não atingem a autonomia necessária de 250 km por dia.

Há preocupação também com a necessidade de adaptação das garagens para uso dos veículos elétricos. “Se quisermos buscar eficiência e inteligência no nosso sistema de transporte coletivo, é preciso criar uma infraestrutura como uma subestação de transmissão nos terminais, por exemplo. As grandes cidades do mundo estão pensando nisso”, diz o especialista.

Como o mercado ainda não oferece a tecnologia elétrica para veículos de menor capacidade e dimensão, os miniônibus, por exemplo, a SPTrans informou que ainda será feito um cronograma específico para que as empresas possam se preparar e planejar as substituições dos veículos.

Benefícios mensuráveis, fazer a substituição por veículos elétricos pode melhorar a qualidade do ar e a saúde pública

Qualidade do ar

Fazer a substituição por elétricos pode melhorar a qualidade do ar e a saúde pública. Veículos que utilizam diesel emitem inúmeras substâncias, como os óxidos de nitrogênio e o material particulado, responsáveis por problemas de saúde. Outro benefício da adoção de ônibus elétricos é a redução de ruído, pois são mais silenciosos. De acordo com o Guia da Eletromobilidade, publicado em fevereiro pelo governo federal em parceria com o BID, dos 500 mil ônibus elétricos no mundo, apenas 250 circulam no Brasil.

O que joga a favor dos ônibus elétricos é o valor da manutenção, muito menor, e do custo da energia, também menor se comparado com o que se gasta com o diesel. O segredo está na quantidade de componentes. Enquanto um motor de combustão interna possui em torno de 500 e 600 peças, o veículo elétrico tem três ou quatro componentes de acordo com o modelo e as especificações.

Tarifa

Tantas cifras despertam uma questão sobre o preço da tarifa. Christovam afirma que os custos das concessionárias na prestação do serviço vão subir. Especialistas apontam que o poder municipal possui três opções neste caso: aumento da tarifa de ônibus, elevação de subsídio ou criar receitas extras, como pedágio urbano, taxa de congestionamento, criação de imposto de circulação dos veículos. E a mobilidade urbana tem de ser pensadas de uma maneira global, não apenas com o uso de determinada tecnologia no transporte, como os motores elétricos. Todos apontam que a adoção de ônibus elétricos deveria proporcionar uma oportunidade de repensar a mobilidade da cidade como um todo. Mas temem que isso não aconteça.

“É preciso levar em conta aspectos sociais, econômicos e culturais, diminuindo a superlotação e as horas gastas no ônibus e melhorando os trajetos”, diz o geógrafo Roberto Braga, especialista em Planejamento Urbano e Regional do Instituto de Geociências e Ciências Exatas da Unesp. Essa é a mesma avaliação da professora Marijane Lisboa, da PUC, que ficou com a impressão de um “ato isolado” do poder municipal. (O Estado de S. Paulo/Gonçalo Junior e Fabio Tarnapolsky)

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