A produção de veículos no Brasil cresceu 7,8% no primeiro semestre de 2025, totalizando 1,22 milhão de unidades em comparação com o mesmo período de 2024. No entanto, os últimos dois meses registraram uma desaceleração em todos os segmentos, com a produção de junho atingindo 200,7 mil unidades, uma queda de 6,5% em relação a maio e de 5% na comparação com junho do ano anterior.
Igor Calvet, presidente da Anfavea, explicou em 7 de julho que o crescimento na produção de veículos leves, que avançou 8% no semestre, foi impulsionado pela demanda da Argentina, principal destino das exportações brasileiras. Por outro lado, a redução de 10% nas vendas no varejo de veículos leves e a queda nas vendas de caminhões impactaram negativamente os números recentes.
Calvet também apontou uma retração histórica na produção. Entre 2011, quando o setor produziu 3,4 milhões de unidades, e 2025, houve uma perda de 35% na capacidade produtiva. No primeiro semestre de 2011, por exemplo, a produção atingiu 1,69 milhão de unidades, volume superior ao registrado em 2025. Ele destacou que o cenário atual é bem diferente daquele período, marcado por crédito facilitado, incentivos fiscais como a redução do IPI e aumento da renda da população.
Assim como no passado, a concorrência de importados segue sendo um desafio. Em 2011, a chegada de modelos chineses e coreanos levou à criação do Inovar Auto, que incentivava a produção local. Hoje, as montadoras instaladas no Brasil pressionam pela manutenção de alíquotas máximas de importação e contra a redução de impostos para a produção SKD/CKD, que, segundo alegações, estaria sendo defendida por montadoras chinesas em Brasília. Apesar disso, a Anfavea garante que os investimentos de R$ 130 bilhões anunciados com o Programa Mover estão mantidos.
Para reverter as perdas recentes, Calvet aposta em um segundo semestre mais forte, impulsionado por maiores exportações para a Argentina e promoções de fim de ano no varejo, que podem ajudar a atingir as metas anuais.







