A presença da montadora chinesa Great Wall Motors (GWM) no Brasil tem gerado movimentações estratégicas que vão além da instalação da fábrica em Iracemápolis (SP). Um dos pilares dessa nova fase é o aproveitamento da capacidade ociosa de fornecedores já instalados no país, especialmente aqueles com estrutura subutilizada nos últimos anos.
Com planos de iniciar a produção local de veículos híbridos e elétricos em 2025, a GWM tem buscado parcerias com fabricantes nacionais de autopeças, abrindo caminho para um modelo de integração que evita duplicação de estruturas e acelera a nacionalização de componentes. A empresa estima alcançar até 60% de índice de nacionalização até 2026, condição estratégica para redução de custos, acesso a incentivos fiscais e futura exportação para países vizinhos.
Em vez de trazer todas as suas fornecedoras da China, a GWM optou por reaproveitar a infraestrutura já existente no Brasil, valorizando empresas com capacidade técnica, qualidade reconhecida e, sobretudo, disponibilidade imediata. Muitas dessas fornecedoras locais enfrentam hoje um cenário de subutilização de suas plantas produtivas — consequência da retração no mercado interno e da reorganização da cadeia automotiva nos últimos anos.
A iniciativa da GWM foi bem recebida por representantes do setor, como o Sindipeças, e vem sendo conduzida com apoio do governo de São Paulo, que também vê na reativação da capacidade produtiva um caminho para gerar empregos e fortalecer o parque industrial regional. A montadora sinalizou ainda a intenção de manter os fornecedores em um raio de até 50 km da fábrica, reduzindo custos logísticos e promovendo eficiência operacional.
O movimento já começa a se concretizar. Mais de 100 componentes estão sendo mapeados para fornecimento local, e os primeiros contratos — com nomes como Bosch — devem ser formalizados a partir de julho. Além disso, a GWM reforçou que não exige exclusividade de seus parceiros, permitindo que fornecedores atendam também a outras montadoras, o que amplia a sustentabilidade econômica dessas empresas.
Com um investimento estimado em R$ 10 bilhões até 2032, a estratégia da GWM de reaproveitamento da capacidade ociosa no Brasil se mostra não apenas viável, mas inteligente: reduz prazos, evita custos de implantação e dá novo fôlego à indústria nacional de autopeças.








