Tarifas de Trump desafiam estratégias de empresas brasileiras nos EUA

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O anúncio de tarifas de 50% sobre exportações brasileiras para os Estados Unidos, feito por Donald Trump na última quarta-feira, surpreendeu empresários que dependem do mercado norte-americano. Com incertezas sobre a implementação a partir de 1º de agosto, as empresas de diversos setores estão recalculando estratégias e avaliando impactos para minimizar prejuízos.

Negócios que importam produtos brasileiros priorizam a criação de cenários para enfrentar o novo contexto. Segundo Simone Muraro, do Concierge Service USA, que assessora empresas em transição para os EUA, o planejamento de curto, médio e longo prazo é fundamental para o crescimento, mas os empresários brasileiros enfrentam constantes adversidades. Ela destaca que a tarifa anterior de 10% já dificultava a concorrência com países que possuem acordos comerciais, e os 50% propostos tornam a competição inviável.

No varejo, o impacto é imediato. Mauricio Sobral, sócio do RememBr, que opera um supermercado e restaurante na Flórida, observa que as tarifas de 10% já geraram aumento de preços, e a nova alíquota de 50% amplia as preocupações. Sem espaço para grandes estoques, ele prevê que o consumidor reduzirá compras de itens não essenciais. Sobral considera ajustar o mix de produtos e o espaço de suas lojas, mas mantém a esperança de que a taxação seja revista.

Indústrias em alerta

As indústrias brasileiras com atuação nos EUA também enfrentam desafios. Uma panificadora, que exporta panetones para as festas de fim de ano, planejava dobrar o volume de vendas para os EUA em 2025. A country manager da empresa explica que a produção está pronta para embarque em agosto, mas a nova tarifa pode reduzir a competitividade frente aos produtos italianos, que enfrentam alíquotas menores. A empresa analisa absorver parte do aumento para manter o mercado.

A Alpargatas, reconhecida pela internacionalização das Havaianas, avalia os impactos. No primeiro trimestre de 2025, o mercado externo gerou R$ 279 milhões, com 0,5 milhão de pares vendidos nos EUA, conforme balanço da empresa. Apesar da queda no volume, a receita cresceu 17,3% devido a um mix premium. A companhia preferiu não comentar até concluir sua análise.

Aviação sob pressão

No setor aeronáutico, a Embraer estuda os possíveis efeitos da tarifa, caso se aplique à indústria de aviação. A empresa trabalha com autoridades para tentar restabelecer a alíquota zero de importação, buscando proteger seus negócios nos EUA.Enquanto negociações políticas avançam, empresários buscam adaptar estratégias, reduzir perdas e manter a competitividade em um cenário marcado por incertezas.

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