Autor Marcelo Cavalcante de Lima
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As vendas do setor de automóveis e comerciais leves encerraram o mês de março com 186.590 unidades (prévia), esse número representa um crescimento de 38,31% em relação ao mesmo período de 2023 e avança 55,81% ante fevereiro.
Você pode estar se perguntando, diante dos números prévios o que justifica paralização das montadoras, muita calma nessa hora, nada de criar teorias conspiratórias, mais adiante as perguntas serão respondidas.
No acumulado do 1º trimestre o setor vendeu 436.804 unidades, anotando um crescimento de 16,63% em relação ao ano anterior, temos que relembrar que em 2022 o volume de vendas e produção foi impactado negativamente pelo agravamento da crise dos semicondutores, quando comparamos com o trimestre de 2021, as vendas caem 12,27% e recuam 24,69% na comparação com o período pré-pandemia. Em média o 1º trimestre corresponde a 23% do realizado no ano, se esse ritmo for mantido estaríamos projetando vendas entre 1.930.000 até 1.970.000, mas temos margem e tempo para recuperar.
As montadoras permanecem com uma grande capacidade ociosa de produção, no 1.º bimestre de 2019 nossa indústria produziu 436.197 veículos contra 299.618 produzidos nos dois primeiros meses do ano, representando uma queda de 31%, ainda não temos os dados da produção de março, nossa estimativa é que fique acima de 185 mil veículos.
O setor permanece alavancado pelas vendas no atacado, a modalidade vendeu em março 95.546 unidades, o que representou um crescimento de 73,55% em relação ao mês de fevereiro, no acumulado as vendas diretas já somam no 1.º trimestre 200.935 veículos, anotando um crescimento de 36,41%.
O varejo vendeu em março 95.546 unidades, o que representou um crescimento de 42% ante fevereiro, no acumulado as vendas no varejo avançam apenas 3,80% na comparação com o fraco trimestre de 2022.
A falta de modelos de entrada com preços mais atrativos vai continuar limitando a capacidade de recuperação, lembrando a opção em focar a produção em veículos com maior valor agregado, foi uma decisão das montadoras para adequar seus resultados financeiros a capacidade de produção.
A paralisação parcial da produção no mês de março é um reflexo da queda na demanda do varejo, somado a falta de peças e insumos, o setor permanece alavancado pelas compras das locadoras, falta de modelos de entrada, preços altos, perda de poder aquisitivo e taxas de juros elevadas, permanecem limitando a capacidade de recuperação, parte desse espaço está sendo ocupado pela venda de motos e seminovos, 16 Estados fecharam o trimestre com vendas de motos superando a vendas de automóveis e comerciais leves.
COMPARATIVO DE MARCAS – VENDAS MENSAIS
Os problemas na cadeia de insumos e semicondutores permanecem em 2023, é fácil perceber que algumas montadoras estão conseguindo administrar melhor essa sazonalidade, principalmente em um momento onde alguns mercados estão apresentando crescimento, o que pode redirecionar prioridades, temos que destacar que a venda e produção de carros elétricos e híbridos não para de bater recordes no mundo, e esses modelos exigem quase 3x mais a utilização de semicondutores que veículos a combustão.
A Fiat fecha o trimestre com chave de ouro, suas vendas em março anotaram um crescimento de 55,78% em relação ao mês anterior, no trimestre foram vendidos 96.643 veículos, uma vantagem de mais de 25 mil para o segundo colocado. Suas vendas totais anotam um crescimento de 22,22% ante 2022 e avançam 22,61% na comparação com o período pré-pandemia. Sem nenhuma dúvida a marca conseguiu se destacar nesses últimos três anos pela menor incidência de intercorrências na produção, seu ciclo atual de investimentos no Brasil é de 16 Bilhões, nesse valor também está incluído Jeep.
A GM segue seu caminho de recuperação, seu novo lançamento a GM/MONTANA tem conseguido boa aceitação e já ocupa a vice liderança na sua categoria, o que acrescenta uma boa disputa nesse sub segmento, suas vendas em março anotaram um crescimento de 61,47%, no trimestre a marca já vendeu 71.528 veículos, anotando um crescimento de 41,97% ante 2022 e uma queda de 33,03% quando comparado com o período pré-pandemia.
A VW permanece na terceira posição, a marca está anotando um crescimento no acumulado de 58,72% em relação ao ano anterior, lembrando que no trimestre de 2022 a VW teve diversas paralisações na produção, o que impactou negativamente seu resultado. Na comparação com o período pré-pandemia, a marca anota uma queda de 27,44%.
A Toyota fecha o trimestre com 42.064 unidades, o que representa um crescimento de 3,88% em relação ao ano anterior, na comparação com o período pré-pandemia a marca apresenta um recuo de 11,07%. Destacamos que 4.724 veículos são modelos híbridos, o que representa 11,23% do total vendido pela Toyota no Brasil.
Entre as marcas Premium a BMW fecha mais um trimestre na liderança, com 2,881 unidades vendidas, sendo 891 elétricas/híbridas, suas vendas totais anotam um crescimento de 4,20% ante 2022 e 17,30% na comparação com o período pré-pandemia.
A Volvo ficou com a segunda posição na categoria Premium, a marca vendeu no trimestre 2.111. veículos, sendo 1.542 híbridos e 569 elétricos, abril chega com novidades e promoções.
RANKING DE MODELOS MENSAL E ACUMULADO
No gráfico acima é possível analisar o ranking de modelos no mês e no acumulado, além das modalidades de vendas, os dados são prévios.
ANÁLISE DE VENDAS POR MODALIDADE
As vendas no varejo fecharam o trimestre com uma participação de 54% o que representa um crescimento de apenas 3,80% no volume de vendas e uma queda de 11% na participação.
A liderança no varejo é da Fiat, a marca direcionou 41,88% e está anotando um crescimento de 4,22% ante 2022.
A segunda posição no varejo é da GM, 51,87% de suas vendas estão concentradas nessa modalidade, seu volume anota um crescimento de 5,29%.
Fecha o trio do varejo a Toyota, 75,49% de suas vendas estão direcionadas para o cliente final, suas vendas anotaram um crescimento de 0,83%.
As vendas diretas estão registrando um crescimento de 36,41% no volume e 16,96% na participação, o trio do atacado é Fiat, GM e VW.
MARCAS MAIS VENDIDAS POR ESTADOS NO 1º TRIMESTRE
A Fiat fecha o trimestre liderando as vendas em 22 Estados mais o Distrito Federal, essa liderança consolida o bom momento da marca no Brasil.
A VW fecha o trimestre liderando as vendas no Estado de São Paulo, o excesso de paralisações permanece dificultando o ciclo de recuperação da marca.
A GM é líder no Rio Grande do Sul, Amazonas e Roraima.
Ficamos na torcida para um mapa com mais cores, é importante para o setor que não exista concentração e poucas marcas o que propicia a chegada de novos investimentos e tecnologias.
MAPA DA MOBILIDADE – AUTOS E MOTOS
No mapa acima está grafado em azul os Estados onde a venda de motos está superando a venda de autos e leves, são 16 Estados nesse 1º Trimestre.
Está grafado em amarelo os Estados onde a venda de automóveis e comerciais leves superam a venda de motos, são 10 Estados mais o Distrito Federal.
Esse crescimento da participação das vendas de motos nos Estados é parcialmente justificado pela migração de alguns consumidores de autos para os setores de duas rodas, além do aumento nos serviços de delivery.
O setor duas rodas estão projetando para 2023 superar as 1.550.000 unidades vendidas.
O setor de autos e leves já percebeu essa migração e tenta emplacar a discussão de carros de entrada mais acessíveis.
O setor de novas energias vai fechar o mês de março e o 1º trimestre com recordes de vendas, maiores informações serão divulgadas amanhã.
Desejamos um mês de abril repleto de boas notícias, novos desafios serão enfrentados pelo setor em função das programações de paralisações.







