Aumento do IOF preocupa setor automotivo e pode encarecer veículos e financiamentos

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Medida do governo federal é criticada por locadoras, concessionárias e pela indústria, que alertam para impacto negativo nas vendas e na renovação de frotas

A proposta do governo federal de aumentar a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) acendeu o sinal de alerta na indústria, especialmente no setor automotivo. O decreto presidencial que trata do reajuste do tributo gerou repercussão imediata, com preocupações sobre o possível encarecimento dos financiamentos e, consequentemente, dos veículos.

Um dos segmentos mais afetados pode ser o de locadoras de veículos. Segundo Paulo Miguel Jr., vice-presidente da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla), o aumento do IOF tende a reduzir a renovação de frotas, já que os financiamentos — que já enfrentam juros altos — ficariam ainda mais onerosos. “A dificuldade de repasse nos aluguéis eleva os custos para o usuário final. Como as locadoras respondem por 25% a 30% dos emplacamentos no país, essa elevação pode frear as compras”, afirmou.

Nas concessionárias, o impacto também é motivo de atenção. Milene Sipas, diretora comercial do Grupo HBW (que representa marcas como Honda, Volkswagen e BYD), explica que o IOF costuma estar diluído nas parcelas do financiamento, mas, com o aumento, a percepção de custo pelo consumidor pode crescer. “Isso exige mais flexibilidade nas negociações para manter a competitividade e garantir as vendas”, destacou.

A Anfavea, associação que representa as montadoras, ainda não se pronunciou oficialmente, mas, segundo informações apuradas pela reportagem, o tema já gera desconforto no setor, especialmente por afetar operações internacionais.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), que também representa montadoras, divulgou nota com críticas à medida. Segundo a entidade, a mudança gera imprevisibilidade e deve elevar em R$ 19,5 bilhões os custos com crédito, câmbio e seguros ainda em 2025 — número que pode chegar a R$ 39 bilhões em 2026.

“A medida encarece o crédito produtivo e aumenta em mais de 110% ao ano a carga tributária sobre empréstimos empresariais. Também afeta a importação de insumos e bens de capital, prejudicando investimentos e a modernização da indústria nacional”, alertou a CNI.

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