Montadoras chinesas se voltam contra a BYD após guerra de preços e denúncias ambientais

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A guerra de preços travada pela BYD no mercado chinês de veículos elétricos ganhou um novo e tenso capítulo. Após semanas de críticas por sua política agressiva de preços — que estaria pressionando margens de lucro e desequilibrando o setor — a montadora agora enfrenta uma ofensiva direta de concorrentes locais, como a Great Wall Motor (GWM) e a Geely.

O conflito, que vinha se desenhando nos bastidores, se tornou público após declarações contundentes do vice-presidente da Geely, Victor Yang, durante uma conferência automotiva em Chongqing, este mês. Yang apoiou abertamente as denúncias feitas anteriormente pela GWM, que questionam o cumprimento de normas ambientais por parte da BYD em alguns de seus modelos híbridos plug-in.

Segundo Yang, a Geely realizou seus próprios testes de emissões e chegou às mesmas conclusões que a Great Wall, reforçando a gravidade das acusações. Ele ainda elogiou Wei Jianjun, presidente da GWM, chamando-o de “o denunciante do setor” e uma figura de integridade. A fala foi registrada por veículos locais, como o jornal The Paper, e rapidamente repercutiu nas redes sociais chinesas, intensificando o embate entre os gigantes da indústria.

O pano de fundo dessa disputa é a política de preços agressiva da BYD, que tem ampliado sua fatia de mercado com reduções constantes nos valores dos veículos elétricos e híbridos. Embora isso tenha impulsionado as vendas da montadora, também tem gerado insatisfação entre concorrentes, que veem suas margens reduzidas e sua competitividade ameaçada.

A situação expõe uma racha inédito entre montadoras chinesas, até então vistas como parte de um esforço coletivo para dominar o mercado global de veículos eletrificados. Agora, porém, a disputa interna por espaço e rentabilidade começa a gerar atritos que podem influenciar decisões regulatórias e a imagem pública dessas empresas, tanto na China quanto em mercados internacionais.

A BYD ainda não respondeu oficialmente às declarações da Geely, mas analistas apontam que a pressão pode levar a uma revisão de práticas comerciais e ambientais por parte da montadora, que hoje lidera o segmento de veículos elétricos no país. Com os olhos do mercado e das autoridades voltados para o caso, o episódio pode marcar uma virada na relação entre os grandes players da nova indústria automotiva chinesa.

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