O mercado financeiro reagiu com negativa ao primeiro carro 100% elétrico da Ferrari. As ações da montadora italiana caíram 8,37% na bolsa de Milão na terça-feira (26), logo após a apresentação do Luce, o veículo que marca a entrada histórica da marca no segmento de elétricos. A queda nas ações também foi registrada nos Estados Unidos, onde o título perdeu cerca de 6% em uma única sessão.
Os investidores demonstraram nervosismo com o que consideram uma possível descaracterização da identidade da Ferrari, marca conhecida por motores a combustão e emoção dos carros esportivos. A perda de valor de mercado ultrapassou 13 bilhões de euros em poucas horas após o anúncio do novo modelo. O preço das ações caiu de 310 euros para 284,05 euros, o que representa uma queda de mais de 25 euros por título.
O Luce é o primeiro elétrico da Ferrari e traz especificações impressionantes para um veículo da categoria. O carro possui 1.050 cv de potência, acelera de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos e tem autonomia superior a 530 km no ciclo WLTP. O design foi assinado por Jony Ive, ex-chefe de design da Apple, e o modelo é um SUV de quatro portas e cinco lugares. O preço de lançamento é de 550 mil euros, equivalente a cerca de 3,5 milhões de reais, e as entregas estão previstas para começar no quarto trimestre de 2026.
A queda nas ações foi agravada por declarações de Luca di Montezemolo, ex-presidente da Ferrari entre 1991 e 2014. Em evento na Itália, Montezemolo afirmou que a marca estaria correndo o risco de destruir um mito ao entrar na era elétrica. O executivo que liderou os tempos áureos da Ferrari na Fórmula 1 com Michael Schumacher disse que preferia não aprofundar o assunto para não piorar a situação.
Apesar da reação negativa do mercado, a Ferrari continua extremamente lucrativa e mantém margens elevadas. A marca possui uma das clientelas mais fiéis do mundo e o CEO da Ferrari afirmou que o novo elétrico manterá a emoção característica dos carros da montadora italiana.
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