A transição para a mobilidade elétrica no Brasil avança, mas enfrenta barreiras significativas, segundo o estudo Mobilidade Elétrica: Experiência Internacional e Condições de Contorno para Sua Difusão no Brasil, da Thymos Energia. Apesar do crescimento de 85% nas vendas de veículos elétricos (VEs) em 2024 em relação a 2023, os VEs representaram menos de 7% dos licenciamentos no último ano, bem atrás da China, que dominou 60% das vendas globais de VEs em outubro de 2024. Entre os gargalos estão a infraestrutura de recarga limitada, com eletropostos concentrados em áreas urbanas, custos elevados de veículos e baterias, e uma regulação inadequada.
Luiz Vianna, COO da Thymos, destaca a necessidade de modernizar a rede elétrica, adotar digitalização e tecnologias como o vehicle-to-grid (V2G) para atender à demanda crescente. Economicamente, os altos preços dos VEs, impostos elevados e tarifas de energia caras desestimulam a adoção. A ausência de produção local de baterias, com dependência de importações, é outro obstáculo, ao contrário da China, líder em manufatura de baterias. No campo regulatório, o modelo tarifário atual não considera as necessidades específicas dos VEs, como preços diferenciados para recarga em horários de baixa demanda. A Thymos sugere tarifas flexíveis e incentivos baseados em desempenho para distribuidoras.
Políticas públicas também precisam evoluir. Apesar de iniciativas como o plano nacional de transporte público eletrificado de 2024 e zonas de baixa emissão em São Paulo, o Brasil ainda depende fortemente de combustíveis fósseis. Exemplos internacionais, como Alemanha e Chile, mostram que parcerias público-privadas e planejamento integrado são cruciais. Com 1.000 ônibus elétricos em 18 cidades, o Brasil tem potencial, mas a escalada depende de investimentos coordenados entre governo, montadoras e setor energético. Sem isso, o país corre o risco de ficar para trás na corrida global pela mobilidade sustentável.







