O barato que sai caro: falso Arla 32 satura catalisador e faz manutenção bater 30% do preço do caminhão

3 minutos de leitura

Por: Gilles-Laurent Grimberg

​O uso de Arla 32 falsificado ou adulterado tem se tornado uma armadilha frequente e perigosa para frotistas e caminhoneiros no Brasil. Essencial para o funcionamento do sistema de redução de emissões dos motores a diesel (SCR), o reagente original possui uma composição química extremamente rigorosa. No entanto, a circulação de produtos clandestinos no mercado, que utilizam componentes inadequados na fabricação, coloca em risco direto a integridade mecânica e a saúde financeira do setor de transporte rodoviário de cargas.

Como profissional do setor, vejo de perto o principal fator de risco, que está na substituição dos elementos básicos do composto. O Arla 32 legítimo utiliza uma ureia específica, de altíssima pureza, combinada a uma água também específica e totalmente desmineralizada. O problema é que, muitas vezes, as pessoas falsificam o produto usando ureia agrícola — cuja composição é completamente diferente — misturada a uma água qualquer.

Essa combinação inadequada gera resíduos sólidos que o sistema não consegue processar. Na prática, em vez de o reagente atuar na redução de poluentes e evitar que o catalisador sature, o produto pirata faz exatamente o oposto: ele acelera o entupimento e a saturação da peça. É, literalmente, a mesma coisa que abastecer com um produto que não serve para nada, exceto para danificar o veículo.

O impacto financeiro dessa negligência ou da tentativa de reduzir custos na bomba é imediato e severo. Como o catalisador é uma das peças mais complexas e tecnológicas dos veículos comerciais modernos, o custo para trocá-lo será inevitavelmente muito alto. Dependendo do modelo do caminhão, a substituição dessa peça chega a custar entre 20% e 30% do valor total do veículo. Em muitos cenários, esse gasto forçado com manutenção corretiva compromete gravemente o orçamento e a viabilidade operacional do transportador.

Não vale a pena usar um Arla 32 falsificado. O reagente original e de procedência confiável é muito barato diante do tamanho do prejuízo que uma falha dessas pode causar, provando que não compensa arriscar. Para evitar danos irreversíveis e garantir o desempenho correto do motor, é fundamental realizar uma verificação rigorosa da procedência do produto, adquirindo-o em postos credenciados, exigindo nota fiscal e conferindo o selo do Inmetro. Devemos prezar sempre pela qualidade para proteger o sistema de pós-tratamento, assegurar a conformidade com as leis ambientais e, acima de tudo, blindar o caixa das empresas e dos profissionais das estradas contra prejuízos evitáveis.

Direto da fonte! Nossos jornalistas e colaboradores estão atentos a todos os conteúdos que envolvem os elos da cadeia da mobilidade terrestre brasileira. Sempre traremos conteúdo acionável para nossos leitores. Tudo sob a ótica dos CNPJs da cadeia. Da fabricação até a manutenção. Desejamos então, boa leitura! E claro, nos deixe saber a sua opinião. Ao final de cada matéria você pode deixar a sua mensagem ou ainda, através dos links das nossas redes sociais e whatsapp.

Deixe um comentário

Seu endere~co de e-mail n"ao serã publicado.

Anterior

Presidente Lula acompanha testes e reforça compromisso do governo com avanço do biodiesel no Brasil

Próximo

Associadas à Abeifa fecham semestre com alta de 85,1%

Acessar o conteúdo
Visão Geral

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.