Por: Gilles-Laurent Grimberg
O uso de Arla 32 falsificado ou adulterado tem se tornado uma armadilha frequente e perigosa para frotistas e caminhoneiros no Brasil. Essencial para o funcionamento do sistema de redução de emissões dos motores a diesel (SCR), o reagente original possui uma composição química extremamente rigorosa. No entanto, a circulação de produtos clandestinos no mercado, que utilizam componentes inadequados na fabricação, coloca em risco direto a integridade mecânica e a saúde financeira do setor de transporte rodoviário de cargas.
Como profissional do setor, vejo de perto o principal fator de risco, que está na substituição dos elementos básicos do composto. O Arla 32 legítimo utiliza uma ureia específica, de altíssima pureza, combinada a uma água também específica e totalmente desmineralizada. O problema é que, muitas vezes, as pessoas falsificam o produto usando ureia agrícola — cuja composição é completamente diferente — misturada a uma água qualquer.
Essa combinação inadequada gera resíduos sólidos que o sistema não consegue processar. Na prática, em vez de o reagente atuar na redução de poluentes e evitar que o catalisador sature, o produto pirata faz exatamente o oposto: ele acelera o entupimento e a saturação da peça. É, literalmente, a mesma coisa que abastecer com um produto que não serve para nada, exceto para danificar o veículo.
O impacto financeiro dessa negligência ou da tentativa de reduzir custos na bomba é imediato e severo. Como o catalisador é uma das peças mais complexas e tecnológicas dos veículos comerciais modernos, o custo para trocá-lo será inevitavelmente muito alto. Dependendo do modelo do caminhão, a substituição dessa peça chega a custar entre 20% e 30% do valor total do veículo. Em muitos cenários, esse gasto forçado com manutenção corretiva compromete gravemente o orçamento e a viabilidade operacional do transportador.
Não vale a pena usar um Arla 32 falsificado. O reagente original e de procedência confiável é muito barato diante do tamanho do prejuízo que uma falha dessas pode causar, provando que não compensa arriscar. Para evitar danos irreversíveis e garantir o desempenho correto do motor, é fundamental realizar uma verificação rigorosa da procedência do produto, adquirindo-o em postos credenciados, exigindo nota fiscal e conferindo o selo do Inmetro. Devemos prezar sempre pela qualidade para proteger o sistema de pós-tratamento, assegurar a conformidade com as leis ambientais e, acima de tudo, blindar o caixa das empresas e dos profissionais das estradas contra prejuízos evitáveis.

O barato que sai caro: falso Arla 32 satura catalisador e faz manutenção bater 30% do preço do caminhão
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