Recorde de vendas e avanço feminino revelam novo perfil do motociclista brasileiro

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Brasil registrou 2,19 milhões de motos emplacadas em 2025, enquanto o número de mulheres habilitadas para pilotar cresceu 65,8% em dez anos; veículo ganha espaço também no lazer e nas viagens

A motocicleta está conquistando novos espaços na vida dos brasileiros. Antes associada principalmente ao deslocamento diário e ao trabalho, ela também passou a representar independência para os jovens, uma alternativa de mobilidade para as mulheres e uma opção de lazer e viagem para quem busca novas experiências. A diversificação dos usos acompanha a expansão do mercado de duas rodas e revela um consumidor com necessidades cada vez mais distintas.

Os números ajudam a dimensionar esse cenário. De acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), o Brasil registrou 2,19 milhões de motocicletas emplacadas em 2025, crescimento superior a 17% em relação ao ano anterior e recorde histórico. Para 2026, a entidade projeta uma alta de 8,6% no mercado, com avanço de 10% para o segmento de motocicletas, que pode alcançar 2.416.980 unidades emplacadas.

“Por trás desse crescimento existe um consumidor menos homogêneo. A moto continua sendo uma importante ferramenta para quem precisa economizar tempo e dinheiro nos deslocamentos, mas passou a atender necessidades que vão além da rotina casa-trabalho”, explica Wendel Lazko, gerente-geral de negócios da Shineray do Brasil.

Mais mulheres e jovens nas duas rodas

Para uma parcela dos consumidores, a motocicleta segue como uma alternativa de mobilidade por reunir custo de aquisição, manutenção e combustível relativamente acessíveis, além de agilidade no trânsito. Nesse grupo estão também os profissionais que utilizam o veículo como ferramenta de trabalho, como entregadores e motoristas de aplicativo, para quem resistência, economia e facilidade de manutenção são fatores importantes na escolha.

Ao mesmo tempo, a moto vem conquistando consumidores que buscam mais autonomia e praticidade no dia a dia. Entre os jovens que compram a primeira motocicleta, aspectos como preço, facilidade de condução, tecnologia, conectividade, design e custo de manutenção podem influenciar a decisão.

A participação feminina também se destaca nessa transformação. Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostram que o número de mulheres habilitadas na categoria A passou de 6 milhões, em 2015, para mais de 10 milhões em 2025, um crescimento de 65,8% em uma década.

O avanço amplia o debate sobre o perfil de quem utiliza motocicletas no país e reforça a importância de compreender diferentes necessidades de mobilidade, sem restringir o veículo a uma única finalidade.

Motos também ganham espaço no lazer e nas viagens

Outra frente de diversificação está no uso da motocicleta como experiência. Para parte dos consumidores, pilotar deixou de ser apenas uma necessidade de deslocamento e passou a fazer parte do tempo livre, seja em viagens, passeios ou roteiros que valorizam o próprio percurso.

Os dados de produção também apontam para esse movimento. Entre janeiro e maio de 2026, a produção de motocicletas de alta cilindrada cresceu mais de 40% na comparação com o mesmo período de 2025. Esses modelos atendem, entre outros públicos, consumidores interessados em lazer e viagens, contribuindo para ampliar a diversidade de usos das duas rodas.

A mudança também traz novos desafios para as fabricantes, que precisam considerar diferentes prioridades no desenvolvimento e na oferta de produtos. Enquanto alguns consumidores privilegiam economia e praticidade, outros valorizam conforto, desempenho, tecnologia e recursos voltados a trajetos mais longos.

“Já não basta pensar em cilindrada, potência ou preço. Diferentes perfis procuram soluções diferentes, e fatores como economia, segurança, conforto, tecnologia, manutenção e finalidade de uso passam a pesar de maneiras distintas na decisão de compra”, pontua Lazko.

Para o executivo da Shineray, que é hoje uma fabricante que atua em diferentes faixas do mercado de duas rodas, acompanhar essa transformação significa reconhecer que não existe um único perfil de motociclista. “A motocicleta continua sendo uma ferramenta de trabalho e uma alternativa de mobilidade, mas também ganha espaço como escolha de independência, lazer e estilo de vida”. 

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