Por Marcelo Martini
Segundo projeções da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), a indústria brasileira de motocicletas segue em trajetória de crescimento e a produção nacional deve alcançar mais de 2 milhões de unidades em 2026, um avanço de 4,5% em relação ao ano anterior. O resultado reforça a importância crescente das motocicletas na mobilidade urbana e no desenvolvimento econômico do país, ao mesmo tempo em que amplia os desafios e as oportunidades para o mercado de reposição.
Nos últimos anos, a motocicleta se consolidou como um dos principais meios de transporte para milhões de brasileiros. Em um cenário marcado por desafios econômicos, custos elevados de financiamento e necessidade de deslocamentos mais ágeis, as motos passaram a representar uma solução mais acessível para mobilidade diária e se tornaram uma importante fonte de renda para profissionais que atuam em serviços de entrega, transporte e logística urbana.
Esse crescimento da frota tem reflexos diretos no mercado de reposição, no sentido de que toda motocicleta está sujeita ao desgaste provocado pelo uso diário, pelas condições das vias e pelos diferentes regimes de operação. Dessa maneira, quanto mais delas circulam pelas ruas, maior é a busca por manutenção preventiva e corretiva, aumentando a demanda de peças, componentes e lubrificantes de alta performance para oficinas, distribuidores e varejistas especializados.
Frota maior exige mais manutenção
Nesse contexto, práticas como trocas periódicas de óleo, inspeções mecânicas e substituição de componentes desgastados ganham relevância para preservar a confiabilidade, a segurança e a eficiência das motos. Além de reduzir custos futuros, a manutenção adequada contribui para aumentar a vida útil dos motores e evitar falhas inesperadas.
O desafio é que boa parte da nova frota circula nas chamadas condições severas de uso, que consistem em trânsito intenso, longos períodos em marcha lenta, altas temperaturas, percursos urbanos frequentes e operações de entrega que podem exigir mais dos motores, acelerando o desgaste dos componentes. Nesses cenários, a qualidade dos lubrificantes tem um papel ainda mais importante para garantir a proteção e o funcionamento adequados deste meio de transporte.
As motocicletas atuais são muito diferentes dos modelos comercializados há algumas décadas, com sistemas eletrônicos avançados, injeção eletrônica, freios ABS e CBS, sensores inteligentes e soluções voltadas para eficiência energética que aumentaram significativamente os padrões de desempenho, segurança e confiabilidade.
Essa evolução também impactou diretamente os motores, pois os modelos modernos são mais compactos, operam com tolerâncias mecânicas menores, desenvolvem maior potência e trabalham sob temperaturas e pressões mais elevadas. Como consequência, eles exigem componentes e fluidos com desempenho superior aos utilizados no passado.
Papel dos lubrificantes na nova geração de motocicletas
A evolução dos motores trouxe, também, a necessidade de uma transformação igualmente profunda nos lubrificantes utilizados pelas motocicletas. Considerando que as unidades de potência modernas precisam de lubrificação instantânea na partida, fluidos de baixa viscosidade, como 10W-30, 10W-40 e 5W-40, entram em cena no lugar dos lubrificantes minerais mais viscosos, como o 20W-50.
As formulações atuais incorporam tecnologias avançadas de aditivação e bases sintéticas capazes de atender às exigências desses motores. Além de reduzir atrito e desgaste, os lubrificantes precisam garantir estabilidade térmica, resistência à oxidação, controle da formação de depósitos e proteção contra corrosão, sendo essenciais, ainda, para o funcionamento adequado das embreagens banhadas a óleo, processo que requer conformidade com certificações específicas, como JASO MA e JASO MA2.
Ao mesmo tempo, os benefícios proporcionados pelos lubrificantes, atualmente, englobam outros fatores além da proteção mecânica, como a eficiência energética dos motores, a redução de emissões e a proteção dos sistemas de pós-tratamento de gases exigidos pelas legislações ambientais mais recentes.
Profissionalização do mercado de reposição
O avanço tecnológico das motos também está transformando o perfil dos profissionais que atuam no mercado de reposição. No passado, muitos reparos podiam ser realizados com ferramentas básicas e conhecimento predominantemente sobre mecânica, mas essa já não é mais a realidade para este segmento.
Varejistas e reparadores precisam lidar com uma frota mais diversificada de motocicletas, composta por diferentes marcas, tecnologias e especificações técnicas. Tal complexidade exige maior expertise técnica sobre aplicações, recomendações dos fabricantes e seleção adequada de produtos para cada equipamento.
Desse modo, diagnósticos eletrônicos, utilização de scanners, interpretação de sensores e compreensão sobre sistemas embarcados tornaram-se competências cada vez mais necessárias para este mercado. Isso cria oportunidades para a capacitação técnica de mecânicos, oficinas e distribuidores, elevando o nível de profissionalização do setor.
Inovação como solução para novas demandas
A evolução das motocicletas continuará exigindo soluções cada vez mais avançadas do setor de lubrificantes, o que requer investimentos contínuos por parte dos fabricantes em pesquisa, desenvolvimento e testes para acompanhar as transformações da indústria de duas rodas.
Nesse cenário, a responsabilidade das empresas de lubrificantes aumenta para estarem alinhadas com a evolução do segmento, desenvolvendo soluções para as necessidades dos fabricantes e dos consumidores, com o objetivo de garantir que os motores operem com máxima confiabilidade, desempenho e proteção ao longo de toda sua vida útil.
O crescimento da produção de motocicletas no Brasil evidencia uma transformação estrutural na mobilidade do país e reforça a importância de todo o mercado de reposição para o bom desempenho deste meio de transporte. A manutenção adequada e a utilização de lubrificantes de alta performance seguirão como importantes aliados dos motociclistas brasileiros na garantia de segurança, eficiência e durabilidade para a frota de motos do país.
Marcelo Martini é Gerente de Vendas do Aftermarket da FUCHS







