Durante o 32º Seminário da Reposição Automotiva, painel reuniu representantes da indústria, distribuição e reparação para discutir como o reconhecimento de talentos, a cultura empresarial e a participação feminina nas decisões contribuem para a competitividade do setor.
A presença das mulheres no aftermarket automotivo vai muito além da representatividade. O desafio é ampliar o reconhecimento das competências já existentes no setor e valorizar a contribuição dessas profissionais nas decisões que determinam o desempenho e o futuro das empresas.
Foi com essa perspectiva que a Associação Brasileira das Mulheres do Mercado Automotivo (AMMA) participou do 32º Seminário da Reposição Automotiva, realizado em 6 de outubro, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP).
Com uma abordagem voltada à realidade dos negócios, a entidade promoveu um painel que reuniu representantes de diferentes elos da cadeia para discutir competência, cultura organizacional, oportunidades profissionais e resultados empresariais.
A conversa foi mediada por Simone de Azevedo Franzo, vice-presidente da AMMA, e contou com a participação de Ana Paula Cassorla, diretora de Compras, Vendas e Marketing da Pacaembu Autopeças; Niela Marques, da Niela Mecânica; Débora Bonadio, gerente de Marketing da DRiV; e Alfredo Bastos, diretor Comercial e de Marketing da MTE Thomson.
A composição do painel permitiu reunir experiências da indústria, distribuição e reparação automotiva, oferecendo diferentes perspectivas sobre os desafios de gestão, desenvolvimento de talentos e competitividade no aftermarket brasileiro.
Competência não tem gênero. Resultado também não.
O primeiro eixo do debate abordou a relação entre competência, reconhecimento profissional e entrega de resultados.
A discussão partiu de uma realidade cada vez mais evidente no aftermarket: mulheres já empreendem, administram empresas, conduzem equipes, desenvolvem estratégias e participam de decisões relevantes para os negócios.
Mais do que discutir a conquista de espaços, o painel destacou a importância de reconhecer trajetórias, experiências e capacidades profissionais, valorizando a contribuição efetiva de cada pessoa para o desempenho das organizações.
Conhecimento técnico, visão empresarial, capacidade de gestão e consistência nas entregas foram tratados como atributos fundamentais para o desenvolvimento profissional, independentemente de gênero.
Cultura empresarial: reconhecer talentos e criar oportunidades
O segundo eixo abordou o papel das organizações na construção de ambientes capazes de identificar, desenvolver e aproveitar as competências de seus profissionais.
A reflexão foi além das políticas de diversidade e alcançou questões práticas de gestão: como as empresas reconhecem talentos? Como preparam profissionais para assumir responsabilidades? E como suas culturas organizacionais favorecem ou dificultam o aproveitamento das capacidades existentes?
O debate ressaltou a importância de transformar reconhecimento em oportunidades concretas, por meio do desenvolvimento profissional, do acesso ao conhecimento e da participação nos processos de decisão.
Para a AMMA, a evolução do setor depende de uma cultura empresarial que valorize a competência e estimule a colaboração entre homens e mulheres, sem estabelecer disputas artificiais por espaço.
Afinal, o que o negócio ganha com isso?
O terceiro eixo levou a discussão diretamente para os resultados empresariais.
Em vez de tratar a diversidade apenas como um compromisso institucional, o painel propôs uma reflexão sobre seus efeitos na qualidade das decisões, na capacidade de inovação, no relacionamento com clientes e no desenvolvimento das organizações.
A presença de profissionais com experiências e repertórios diferentes pode ampliar a compreensão dos desafios do mercado, enriquecer a análise de problemas e contribuir para decisões mais consistentes.
O ponto central foi mostrar que reconhecer e aproveitar talentos não representa apenas um benefício individual. É também uma escolha de gestão que pode fortalecer a competitividade de toda a cadeia.
Uma construção conjunta para o aftermarket
Ao reunir mulheres e homens na mesma discussão, a AMMA reforçou que o desenvolvimento do mercado automotivo depende de colaboração, respeito profissional e objetivos compartilhados.
Para Simone de Azevedo Franzo, vice-presidente da AMMA e mediadora do painel, o debate demonstrou a importância de conectar o reconhecimento profissional aos resultados das empresas.
“Não estamos falando de mulheres contra homens, nem de ocupar espaços simplesmente por uma questão de gênero. Estamos falando de profissionais competentes, preparados e capazes de contribuir para decisões melhores. As mulheres já estão no aftermarket, empreendem, administram, conduzem equipes e entregam resultados. O que precisamos é reconhecer e aproveitar todo esse conhecimento. Quando isso acontece, quem ganha é o negócio e todo o mercado”, destaca Simone.
Segundo a vice-presidente, a discussão precisa envolver empresários, gestores e profissionais de toda a cadeia, independentemente de gênero.
“O painel mostrou que essa construção precisa acontecer com todos. Homens e mulheres trabalhando juntos, compartilhando experiências, reconhecendo competências e assumindo responsabilidades. O aftermarket tem desafios importantes pela frente, e não faz sentido deixar talentos de fora das decisões. Precisamos avançar do discurso sobre diversidade para a compreensão do valor que diferentes experiências e perspectivas podem gerar para os negócios”, acrescenta.
AMMA amplia sua atuação nos debates estratégicos do setor
A participação no 32º Seminário da Reposição Automotiva reforça o trabalho institucional da AMMA para aproximar a agenda de desenvolvimento profissional feminino das discussões que orientam o futuro do aftermarket.
A associação atua na conexão de profissionais, no estímulo à capacitação, na articulação com empresas e entidades e na criação de oportunidades que contribuam para o fortalecimento de toda a cadeia automotiva.
Ao levar o tema para um dos encontros tradicionais da reposição brasileira, a AMMA reafirma que a valorização das mulheres não deve ser tratada como uma pauta paralela à estratégia empresarial, mas como parte das decisões relacionadas a pessoas, gestão, inovação e competitividade.
A entidade agradece a Marilda Ávila e a toda a equipe da revista responsável pela organização do Seminário da Reposição Automotiva, pela oportunidade de ampliar uma discussão que interessa a todo o mercado.
A mensagem deixada pelo painel é clara: o futuro do aftermarket não depende apenas de novas tecnologias, modelos de negócio ou estratégias comerciais. Depende também da capacidade das empresas de reconhecer, desenvolver e aproveitar as pessoas que podem contribuir para construí-lo.







