A BMW planeja mudar sua estratégia de compras e desenvolvimento para reduzir custos com peças menos visíveis aos consumidores, prevendo que componentes padronizados de mercado dominem o seu orçamento de compras até 2032. Com um orçamento anual do setor de suprimentos na casa dos € 80 bilhões (cerca de R$ 472 bilhões), a montadora alemã pretende reduzir a participação de itens exclusivos criados do zero para menos da metade dos níveis atuais, aproveitando soluções já consolidadas na indústria automotiva.
Essa reorganização visa impulsionar a rentabilidade do negócio e elevar a margem operacional de 2,3% para uma faixa entre 3% e 5% até 2028. De acordo com o executivo-chefe da empresa, Milan Nedeljkovic, o avanço tecnológico dos fornecedores tornou desnecessário desenvolver componentes próprios para todas as partes do veículo, assegurando que a mudança não trará concessões em qualidade, desempenho ou nos elementos essenciais que diferenciam os carros da marca no mercado.
A nova postura reflete a necessidade das montadoras tradicionais de responder à concorrência dos fabricantes chineses, que ganharam escala e velocidade ao utilizarem um alto nível de componentes padronizados e compartilhados. Essa tendência também é acompanhada por concorrentes como a Ford e a Toyota, que vêm priorizando peças modulares e materiais genéricos para focar seus investimentos em áreas estrategicamente percebidas pelos motoristas.
Para concretizar essa transição sem perder competitividade, a BMW aposta no aprofundamento de parcerias tecnológicas, como a colaboração com a Qualcomm em sistemas de assistência à condução de Nível 2+, e no uso de inteligência artificial para otimizar o gerenciamento de fornecedores e acelerar decisões de compras no longo prazo.







