Uso de metais nobres em velas de ignição garante queima eficiente, reduz emissões e protege o motor elétrico contra picos de descarga
Os veículos híbridos vêm ganhando as ruas brasileiras e impõe novos desafios à análise diagnóstica nas oficinas mecânicas. Em 2025 este tipo de automóvel já representava 4,3% dos carros de passeio em circulação, segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Nesses veículos, o sistema de ignição assume um papel estratégico, já que o motor à combustão é acionado e desligado com frequência para trabalhar em conjunto com o motor elétrico. Para desmistificar alguns conceitos associados a esses automóveis, a NGK destaca as diferenças entre os veículos híbridos e como as diferenças impactam na forma de uso e nos cuidados com o veículo.
1- MHEV (Mild Hybrid / Híbrido Leve): O motor a combustão trabalha por todo o tempo de uso do veículo, o motor elétrico substitui o motor de partida e auxilia somente nos momentos de início de movimento do veículo, reduzindo o consumo de combustível em uso urbano.
2- HEV (Full Hybrid / Híbrido Convencional / Autocarregável): Nestes modelos a bateria do sistema elétrico é maior além de melhorar o consumo de combustível em ciclos urbanos, permite pequenos deslocamentos com o uso do motor elétrico.
3- PHEV (Plug-in Hybrid / Híbrido Plug-in): Estes modelos possuem um carregamento da bateria diretamente na rede elétrica das cidades através de uma tomada de carregamento, sua autonomia no módulo elétrico é bem maior, dependendo do modelo e condições de uso podem chegar 100km.
4- EREV – Extended Range Electric Vehicle / Híbrido de Autonomia Estendida: Estes veículos possuem tração exclusivamente elétrica, onde o motor a combustão trabalha como um gerador, recarregando as baterias do veículo, permitindo uma maior autonomia.
“Nos veículos MHEV e HEV o motor a combustão irá trabalhar de forma muito similar a um motor somente a combustão. Já nos veículos EREV, o funcionamento do motor a combustão é otimizado, por trabalhar no melhor regime do motor. Para os veículos PHEV, dependendo da forma de uso do veículo e disponibilidade para recarga, o veículo pode trafegar por períodos longos de tempo no modo elétrico. Esse tipo de uso pode provocar o envelhecimento do combustível no tanque do veículo, ocasionando acumulo de resíduos. Outro problema é que o motor precisa atingir uma temperatura ideal para o trabalho, se o percurso com o motor a combustão for muito curto, a temperatura não é atingida”, explica Hiromori Mori, consultor de assistência técnica da Niterra.
Assim, se nos carros à combustão uma falha de ignição gera uma falha no motor ou acende a luz da injeção, nos híbridos, o gerenciamento eletrônico é mais complexo e pode interferir na transição entre o uso do motor elétrico e a combustão, podendo gerar falhas e perda instantânea de torque. Para compensar, o computador de bordo exige um esforço repentino do motor elétrico, a solicitação do motor elétrico quando não é planejada (programada) pode levar a um conflito entre a parte elétrica e a combustão do veículo. Para evitar o conflito, a central eletrônica monitora o sistema de ignição a cada milissegundo, emitindo alertas ao usuário quando é detectado algum problema, em certas ocasiões o sistema além do alerta pode desabilitar algumas funções do veículo, iniciando uma estratégia de segurança.
Velas de ignição em veículos híbridos
A tecnologia de componentes internos das velas de ignição também precisou evoluir para acompanhar as necessidades específicas dos híbridos. As velas de ignição aplicadas nesses veículos, por exemplo, incorporam soluções de alta resistência, projetadas para tolerar o estresse mecânico e térmico. Peças com irídio e platina oferecem maior resistência ao desgaste e às altas temperaturas, e contam com eletrodos mais finos, que contribuem com a geração de centelha mais precisa e eficiente.
Segundo Hiromori Mori, consultor de Assistência Técnica da Niterra do Brasil, as velas de metais nobres são indispensáveis para os motores híbridos, mas apresentam vantagens significativas para qualquer veículo. Isso porque proporcionam uma queima muito mais completa do combustível, o que se traduz em partidas mais rápidas a frio, melhor estabilidade na marcha lenta, respostas mais ágeis nas acelerações e, consequentemente, menor emissão de poluentes”.
Veículos híbridos são mais complexos que os veículos somente a combustão, necessitando equipamentos específicos, treinamentos técnicos por parte dos mecânicos e atendimento a requisitos de normas de segurança. As oficinas precisam se capacitar e se adequar para atender estes veículos.
Para acompanhar a evolução da eletrificação automotiva, a NGK disponibiliza para o aftermarket tecnologias de ignição desenvolvidas para atender às exigências dos motores modernos.







