A obra completa, com capítulo dedicado ao potencial do Brasil, será lançada oficialmente em 8 de setembro no Industry Hearing, no IAC em Campinas
O biometano já é uma realidade industrial consolidada no cenário global e se confirma como uma das soluções mais eficientes para a descarbonização do transporte pesado. Essa é um dos principais apontamentos do estudo internacional “From Waste to Wheels – Turning organic waste into renewable fuel for transport”, sobre o papel do biometano na transição energética, encomendado pelo Instituto MBCBrasil e desenvolvido por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e do Instituto Mauá de Tecnologia.
Uma prévia do levantamento com os primeiros contornos do trabalho foi adiantada pela professora Gláucia Mendes Souza (USP), uma das autoras, durante o 13º Fórum do Biogás, realizado em São Paulo. O estudo na íntegra, que conta com um capítulo exclusivo dedicado ao potencial do Brasil, será lançado oficialmente no dia 8 de setembro.
“O Brasil já reúne todas as condições para transformar o biometano em uma solução para a descarbonização do transporte. O desafio agora é converter esse potencial em produção, infraestrutura e demanda. Encomendamos esta pesquisa, que consolida, em um único documento, evidências de dezenas de fontes internacionais e nacionais, para subsidiar decisões que ajudem o poder público e o setor privado a tomarem decisões e acelerarem o desenvolvimento desse mercado”, afirma José Eduardo Luzzi, presidente do Conselho de Administração do Instituto MBCBrasil.
Panorama global e desafio ambiental
Segundo o material, o biometano já é uma realidade industrial consolidada, e não uma aposta de tecnologia futura, contando com 1.678 plantas em operação só na Europa e 470 projetos de gás natural renovável nos Estados Unidos. Em escala global, o potencial sustentável global do combustível é estimado em cerca de 1 trilhão de m³ por ano, o equivalente a 25% da demanda mundial atual de gás natural.
Além disso, o estudo também aponta o tamanho do desafio que o biometano ajuda a resolver: os aterros sanitários emitem, juntos, cerca de 75 bilhões de Nm³ de metano por ano no mundo todo, e menos de 10% desse volume é capturado hoje – um enorme potencial de combustível renovável que atualmente escapa para a atmosfera.
Atratividade econômica e impacto climático
Do ponto de vista econômico, o levantamento mostra que plantas modernas de biometano não são apenas fábricas de combustível: podem gerar uma receita adicional a partir de outros produtos, como digestatos, biofertilizantes e créditos de carbono, configurando modelos de negócio diversificados.
Já do ponto de vista climático, quando utilizado como combustível em caminhões, o biometano reduz em até 90% as emissões de gases de efeito estufa em comparação ao diesel convencional.
O trabalho completo será lançado em 8 de setembro, durante o Biofuels for Decarbonization of Land Transport – Industry Hearing, no Instituto Agronômico de Campinas (IAC). O evento internacional é promovido pela SAE Brasil em parceria com a Sociedade Brasileira de Bioenergia (SBE) e a IEA Bioenergy Task 39.







