Levantamento revela quais são as peças automotivas mais difíceis de encontrar no Brasil

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Com base no maior estoque físico de vidros e peças automotivas da América Latina, levantamento aponta desafios na reposição de veículos premium, modelos chineses e carros fora de linha

Com a chegada de novas montadoras, o aumento da circulação de veículos importados e o envelhecimento de parte da frota nacional, encontrar determinadas peças para seu veículo pode resultar em semanas ou até meses de espera para proprietários e oficinas, além de altos custos, que inviabilizariam a manutenção.

Um levantamento realizado pela Autoglass, empresa referência em vidros, peças e serviços automotivos, identificou quais são as peças mais difíceis de encontrar no mercado brasileiro atualmente.

O levantamento foi elaborado com base no banco de dados da companhia, que possui o maior estoque físico de vidros e peças automotivas da América Latina, e em seu sistema de estoque inteligente, tecnologia que cruza informações como histórico de demanda, perfil da frota de cada região, disponibilidade de fornecedores e probabilidade de substituição conforme o modelo e o ano do veículo.

De acordo com a análise, os maiores desafios de reposição estão concentrados em três grupos de veículos, sendo eles os modelos europeus de luxo com baixa circulação no país, automóveis de marcas chinesas em expansão no mercado brasileiro e veículos fora de linha, cujas peças já deixaram de ser produzidas pelas fabricantes.

Entre os modelos premium, veículos como Ferrari SF90 Spyder, Lamborghini Huracan LP 580-2 e Maserati Levante GT figuram entre os mais complexos para reposição. Em muitos casos, as peças dependem de importação e da estrutura de uma única concessionária autorizada no Brasil, o que pode elevar significativamente o prazo de entrega.

Outros esportivos e utilitários de luxo, como Porsche Cayenne S Coupé e Porsche 911 GT3, também apresentam dificuldade de abastecimento, com peças que podem levar entre 60 e 90 dias para chegar ao país.

Já entre os veículos chineses, o desafio está relacionado principalmente à rápida expansão das marcas e à consolidação gradual da cadeia de reposição nacional. Modelos como MG4, Denza B5 e Geely EX5 apresentam maior dificuldade para obtenção de vidros automotivos, tanto pela disponibilidade limitada quanto pela identificação correta das peças, já que muitos veículos recebem adaptações específicas para o mercado brasileiro.

Outro exemplo é a picape BYD Shark. Como esse tipo de veículo possui pouca representatividade no mercado chinês, onde picapes enfrentam restrições de

circulação em grandes centros urbanos, alguns componentes ainda apresentam oferta limitada para reposição no Brasil.

O levantamento também chama atenção para os veículos fora de linha. Modelos descontinuados há mais de uma década dependem, muitas vezes, de estoques remanescentes, remanufatura ou importação sob encomenda, tornando os prazos imprevisíveis e, em alguns casos, elevando significativamente os custos do reparo.

Entre os exemplos estão Fiat Punto (2008 a 2012), Fiat Doblo (2010 a 2021), além de modelos como Polo (2007 a 2015) e Golf (2008 a 2014), que enfrentam dificuldades especialmente para reposição de componentes de iluminação. Veículos considerados clássicos, como GM Kadett, GM Monza e GM Chevette, também aparecem entre os modelos com maior dificuldade para encontrar determinadas peças.

“O aumento da diversidade da frota brasileira exige um trabalho estratégico na gestão dos estoques. Hoje não basta acompanhar apenas os itens de maior giro. É preciso prever quais peças terão maior probabilidade de reposição, mesmo em veículos com baixa circulação, para reduzir o tempo de espera do consumidor e dar suporte às oficinas e seguradoras”, explica Flávio Cezario, Vice-presidente da Autoglass. Segundo o executivo, esse cenário reforça a importância do planejamento logístico e do uso de inteligência de dados para antecipar a demanda do mercado.

O estoque inteligente permite antecipar a aquisição de componentes considerados críticos, inclusive de modelos com menor volume de vendas no país. No segmento de vidros automotivos, por exemplo, a companhia mantém um portfólio que contempla desde veículos populares até modelos importados de alto valor agregado, reduzindo o impacto dos prazos de importação e aumentando a disponibilidade imediata para diversos modelos da frota nacional.

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