Diesel em alta, avanço de pautas tributárias e maior rigor regulatório elevam a pressão sobre as empresas e reforçam a importância da atuação institucional no setor
O Transporte Rodoviário de Cargas iniciou 2026 em um ambiente de pressão econômica e regulatória mais intensa, exigindo das empresas maior capacidade de planejamento e adaptação. Apenas em março, o diesel acumulou alta média de 16,2%, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), atingindo cerca de R$ 7,09 por litro. O impacto é direto em um insumo que pode representar até 35% dos custos operacionais, conforme a Confederação Nacional do Transporte (CNT). Ao mesmo tempo, o avanço de pautas como a Reforma Tributária, a intensificação da fiscalização da Tabela de Frete, as discussões sobre jornada de trabalho e novas exigências regulatórias ampliam o nível de complexidade das operações.
Esse conjunto de fatores cria um cenário de múltiplas variáveis, no qual decisões operacionais passam a depender cada vez mais de leitura estratégica do ambiente econômico e regulatório. A simultaneidade dessas mudanças exige das transportadoras não apenas eficiência operacional, mas também capacidade de antecipação e adaptação a regras que ainda estão em consolidação.
Para Ana Jarrouge, atual presidente executiva do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região – SETCESP e diretora da Seção II – do Transporte Rodoviário de Cargas da Confederação Nacional dos Transportes, a realidade apresentada em 2026 reforça que a gestão de riscos deixa de ser um diferencial e passou a ser um elemento central para a sustentabilidade das operações.
Segundo a executiva, esse cenário também reforça a necessidade de atuação preventiva por parte das empresas, com apoio das entidades patronais. “Os sindicatos, federações e a confederação atuam informando e conscientizando os empresários de forma incansável. Em toda comunicação, nos eventos e nas reuniões, buscamos antecipar possíveis impactos e trazer mais clareza sobre o cenário. A partir disso, as empresas conseguem evoluir suas políticas internas de gestão de riscos, fortalecendo práticas de governança corporativa, que também são constantemente trabalhadas pelas entidades”, afirma.
No campo regulatório, a necessidade de equilíbrio entre exigências legais e viabilidade operacional se torna ainda mais evidente. Pautas como seguros obrigatórios, fiscalização do piso mínimo e mudanças nas regras de jornada exigem que o setor seja ouvido de forma técnica, para evitar distorções que possam comprometer a atividade.
“Nosso papel é demonstrar aos órgãos reguladores e legisladores os impactos reais das decisões sobre a atividade. O transporte é essencial para a economia, e qualquer aumento relevante de custo impacta toda a cadeia produtiva. Por isso, trabalhamos com base em dados e estudos técnicos”, explica.
Para as transportadoras, a proximidade com as entidades tem se consolidado como um fator estratégico relevante em 2026. O acesso antecipado à informação e a participação nas discussões institucionais ampliam a capacidade de planejamento e reduzem o risco de decisões reativas. A avaliação é de que, diante de um cenário que tende a permanecer desafiador ao longo do ano, a atuação coletiva se torna um elemento essencial para a sustentabilidade do setor.
“Nenhuma empresa resolve esse tipo de desafio sozinha. A organização institucional, o diálogo qualificado com o poder público e a construção conjunta de soluções passam a ser determinantes para manter a competitividade do transporte rodoviário de cargas. A força do setor está justamente na capacidade de atuar de forma organizada, com diálogo, representatividade e visão de longo prazo”, conclui Ana Jarrouge.
Presidente executiva do SETCESP e diretora da Confederação Nacional do Transporte (CNT) da Seção de Cargas, Ana Jarrouge é formada em Direito com especialização em Relações do Trabalho, e possui MBA em Gestão de Pessoas, ambas pela Fundação Getulio Vargas (FGV), e MBA em Finanças com ênfase no transporte e logística pelo Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (IBMEC). Também é idealizadora do Movimento Vez & Voz (https://www.vezevoz.org/), criado para fomentar a participação de mulheres no TRC.







