Vale a pena investir na Renda Fixa?

/
5 minutos de leitura

Com a taxa de juros Selic em 2% ao ano em 2020, muitos investidores correram para a renda variável ou mesmo para fundos multimercado na busca de melhores retornos em seus investimentos.

Segundo dados divulgados pela B3, entre setembro de 2020 e setembro de 2021 o número de investidores em ações cresceu 26% e em Fundos Imobiliários subiram 40%.

Diversificar os investimentos é uma característica que tem se tornado mais recorrente na carteira dos investidores, principalmente em um cenário de baixas taxas de juros.

Outro fator que ajudou muito nesta diversificação foi a democratização dos investimentos. Ou seja, investimentos que antes eram acessados apenas por grandes investidores, hoje estão acessíveis à maioria da população.

Na renda fixa não foi diferente. Antigamente, quem procurava um CDB no seu banco só conseguia rentabilidades próximas a 100% do CDI se tivesse valores acima de 1 milhão de reais. Hoje, na maioria dos grandes bancos, já é possível ter esta taxa investindo apenas R$ 100,00.

A concorrência, o surgimento dos bancos digitais, das fintechs e o próprio avanço da tecnologia ajudaram nesse processo. Hoje é possível ter excelentes retornos com pequenos valores, mas é preciso cuidado na hora de investir pois ao contrário do que a maioria pensa é possível ter perdas na Renda Fixa também.

Em 2021 a inflação medida pelo IPCA acumulou uma alta de 10,06% no ano, o que obrigou o Banco Central a subir a taxa Selic que saiu de 2% ao ano em janeiro e chegou a 9,25% em dezembro.

Esse aumento da taxa de juros fez com que os investidores saíssem da Bolsa e voltassem para renda fixa, afinal para ter ganhos melhores já não era preciso correr tanto risco.

Tanto os títulos privados como CDBs, LCIs e LCAs emitidos por bancos, como os títulos públicos emitidos pelo Tesouro começaram a ter taxas interessantes voltando em alguns casos a rentabilizar 1% ao mês.

Mas quais são os cuidados na hora de investir então?

O primeiro cuidado é entender qual a finalidade e prazo daquele dinheiro que será investido.

Investimentos de prazo mais curto, inferiores a 1 ou 2 anos, devem ser feitos em títulos que tenham liquidez diária como é o caso do Tesouro Selic ou de alguns CDBs indexados ao CDI.

Se o prazo for superior a 2 anos, você pode procurar diversificar e buscar uma melhor rentabilidade em títulos com taxas pré-fixadas, como CDBs, LCIs e LCAs que são títulos de emissão dos bancos. Mas cuidado, esses investimentos não têm liquidez e só podem ser resgatados na data do vencimento. Como a taxa é pré-fixada você já sabe quanto vai ganhar e pode se programar melhor com relação à sua utilização.

Agora, se você quer proteger o seu dinheiro da inflação e ainda ter um ganho real acima dela, pode buscar por títulos que sejam indexados ao IPCA como o Tesouro IPCA recomendado para prazos mais longos acima de 5 ou 10 anos, ou alguns títulos privados como CDBs, LCIs ou LCAs indexadas ao IPCA também.

Aqui mais uma vez temos que ter cuidado com relação à liquidez. Os títulos privados só podem ser resgatados no vencimento, já os títulos públicos apesar de poderem ser resgatados antes do vencimento, dependendo das condições de mercado podem ser resgatados com prejuízo, ou seja, por um valor menor do que o investido.

Em resumo, os títulos indexados ao IPCA são uma excelente alternativa para quem quer se proteger da inflação. Mas fique atento, não resgate antes do vencimento para garantir a taxa contratada.

A previsão deste ano é que a Selic que hoje está em 9,25% continue subindo e chegue a 11,75% ao ano em dezembro, o que torna os investimentos indexados à Selic e CDI interessantes para curto prazo também.

É importante que tenhamos em mente que estamos passando por uma transformação no mundo dos investimentos no Brasil, e é papel de todos nós aprender, se informar e adquirir conhecimento para tomar melhores decisões.

Se quiser ter acesso a conteúdo de educação financeira e investimentos me segue no @deisefina no Instagram que todos os dias posto um conteúdo relevante por lá!

Economista, Planejadora Financeira CFP®️ – Certified Financial Planner, Consultora de Investimentos CVM, pós-graduada em Negócios Bancários (FGV-SP) e em Psicologia Positiva (PUC-RS). Possui mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro, atuando nos maiores bancos do país.

Deixe um comentário

Seu endere~co de e-mail n"ao serã publicado.

Anterior

Renda Passiva: seu dinheiro trabalhando para você!

Próximo

Mercado de ônibus produz 12.361 unidades em 2021

Acessar o conteúdo
Visão Geral

Este site usa cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas em seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.