NR-01 e os Riscos Psicossociais: o setor automotivo está preparado para essa nova fase?

3 minutos de leitura

por João Campos

Desde o dia 26 de maio, entrou oficialmente em vigor a nova redação da NR-01, Norma Regulamentadora que estabelece as diretrizes do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) nas empresas.

Com essa atualização, os fatores de risco psicossociais passam a fazer parte, de forma mais clara e estruturada, do processo de gestão de Saúde e Segurança do Trabalho das empresas.

E isso impacta diretamente toda a cadeia automotiva.

Montadoras, concessionárias, distribuidores, indústrias de autopeças, oficinas mecânicas, retíficas, centros automotivos e operações logísticas convivem diariamente com pressão por prazo, metas, retrabalho, absenteísmo, alta demanda operacional e desafios relacionados à gestão de pessoas.

Durante muitos anos, boa parte desses fatores foi tratada apenas como “problema do dia a dia” ou como uma questão exclusivamente comportamental.

Agora, passam também a integrar a gestão preventiva prevista na NR-01.

Mas é importante esclarecer um ponto:

A nova exigência não significa apenas aplicar pesquisas, criar formulários ou elaborar documentos para atendimento legal.

O foco da nova abordagem é verificar se a empresa possui um processo estruturado de gestão, envolvendo identificação dos fatores de risco, participação dos trabalhadores, integração ao PGR, definição de medidas de prevenção e monitoramento contínuo das ações implementadas.

Os próximos 90 dias devem ser marcados por um forte movimento de orientação às empresas. A tendência inicial é que a fiscalização atue muito mais no direcionamento técnico e na adequação dos processos do que simplesmente na autuação.

Mas isso não significa que o tema possa ser tratado de forma superficial ou adiado.

A discussão envolve produtividade, clima organizacional, retenção de mão de obra, afastamentos, segurança operacional e sustentabilidade do negócio.

Nesse contexto, sindicatos patronais, associações setoriais e entidades de classe podem exercer um papel importante de apoio técnico, orientação e desenvolvimento de ações coletivas que ajudem, principalmente, as pequenas e médias empresas nesse processo de adaptação.

Talvez o maior desafio daqui para frente não seja apenas cumprir a NR-01.

Talvez seja aprender a transformar prevenção em gestão. E isso vai exigir um novo olhar das empresas sobre a Segurança e Saúde no Trabalho.

João Campos

Engenheiro de Segurança do Trabalho

Especialista em Gestão da Prevenção em SST

Engenheiro de Segurança do Trabalho
Especialista em Gestão da Prevenção em SST

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