por João Campos
Desde o dia 26 de maio, entrou oficialmente em vigor a nova redação da NR-01, Norma Regulamentadora que estabelece as diretrizes do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) e do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) nas empresas.
Com essa atualização, os fatores de risco psicossociais passam a fazer parte, de forma mais clara e estruturada, do processo de gestão de Saúde e Segurança do Trabalho das empresas.
E isso impacta diretamente toda a cadeia automotiva.
Montadoras, concessionárias, distribuidores, indústrias de autopeças, oficinas mecânicas, retíficas, centros automotivos e operações logísticas convivem diariamente com pressão por prazo, metas, retrabalho, absenteísmo, alta demanda operacional e desafios relacionados à gestão de pessoas.
Durante muitos anos, boa parte desses fatores foi tratada apenas como “problema do dia a dia” ou como uma questão exclusivamente comportamental.
Agora, passam também a integrar a gestão preventiva prevista na NR-01.
Mas é importante esclarecer um ponto:
A nova exigência não significa apenas aplicar pesquisas, criar formulários ou elaborar documentos para atendimento legal.
O foco da nova abordagem é verificar se a empresa possui um processo estruturado de gestão, envolvendo identificação dos fatores de risco, participação dos trabalhadores, integração ao PGR, definição de medidas de prevenção e monitoramento contínuo das ações implementadas.
Os próximos 90 dias devem ser marcados por um forte movimento de orientação às empresas. A tendência inicial é que a fiscalização atue muito mais no direcionamento técnico e na adequação dos processos do que simplesmente na autuação.
Mas isso não significa que o tema possa ser tratado de forma superficial ou adiado.
A discussão envolve produtividade, clima organizacional, retenção de mão de obra, afastamentos, segurança operacional e sustentabilidade do negócio.
Nesse contexto, sindicatos patronais, associações setoriais e entidades de classe podem exercer um papel importante de apoio técnico, orientação e desenvolvimento de ações coletivas que ajudem, principalmente, as pequenas e médias empresas nesse processo de adaptação.
Talvez o maior desafio daqui para frente não seja apenas cumprir a NR-01.
Talvez seja aprender a transformar prevenção em gestão. E isso vai exigir um novo olhar das empresas sobre a Segurança e Saúde no Trabalho.
João Campos
Engenheiro de Segurança do Trabalho
Especialista em Gestão da Prevenção em SST






