Banco Central aponta desaceleração da atividade econômica, mas destaca expectativas de inflação acima da meta e pressão dos preços do petróleo; projeção do IPCA para 2026 é de 5,6%
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu manter a taxa básica de juros (Selic) em 13,75% ao ano, conforme comunicado divulgado nesta quarta-feira (4). A decisão considera um cenário de maior incerteza internacional, inflação persistente e expectativas inflacionárias distantes da meta, apesar dos sinais de desaceleração da economia brasileira.
Entre os fatores que contribuíram para a cautela do Comitê está o agravamento do cenário externo, especialmente em razão do prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio, que pressionam os preços do petróleo e de seus derivados. O Banco Central também destacou a política monetária mais restritiva nas economias avançadas, situação que aumenta a volatilidade dos mercados financeiros e de commodities e exige atenção dos países emergentes.
No ambiente doméstico, o Copom observa uma moderação mais acentuada da atividade econômica, principalmente nos setores mais sensíveis ao ciclo econômico. O mercado de trabalho ainda apresenta resiliência, embora já demonstre sinais de desaquecimento. Por outro lado, os indicadores mais recentes mostram aceleração da inflação cheia e das medidas de inflação subjacente, que permanecem acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta.
As expectativas de inflação também preocupam. Segundo a pesquisa Focus, as projeções do mercado para 2026 e 2027 subiram para 5,2% e 4,8%, respectivamente. Já a projeção do próprio Copom para o segundo trimestre de 2028, horizonte relevante para a política monetária neste momento, passou para 3,5%.
Projeções de inflação seguem pressionadas
No cenário de referência apresentado pelo Banco Central, a estimativa para o IPCA é de 5,6% em 2026 e 4,7% em 2027. Para o segundo trimestre de 2028, a projeção é de 3,5%.
O Comitê avalia que os riscos para a inflação permanecem elevados, com predominância de fatores que podem pressionar os preços. Entre eles estão a possibilidade de maior persistência das expectativas inflacionárias, os impactos dos preços do petróleo e de seus derivados, os efeitos de condições climáticas sobre a produção agrícola e os custos de energia, além de uma inflação de serviços mais resistente.
Também estão no radar os efeitos das políticas econômicas domésticas e internacionais sobre o câmbio e a possibilidade de estímulos ao consumo e à demanda agregada manterem a atividade econômica acima de seu potencial.
No sentido contrário, o Banco Central considera que uma desaceleração mais intensa da economia brasileira ou global, assim como uma eventual queda nos preços das commodities, poderia contribuir para reduzir as pressões inflacionárias.
Política fiscal e atividade econômica no radar
O Copom ressaltou que continuará acompanhando os desdobramentos da política fiscal brasileira e seus impactos sobre a condução da política monetária e os ativos financeiros. A instituição também demonstrou preocupação com o distanciamento das expectativas de inflação em relação à meta, especialmente nos prazos mais longos, uma vez que essa condição influencia a formação de preços e aumenta o custo do processo de desinflação.
Ao justificar a manutenção dos juros, o Comitê destacou que o nível atual da Selic é substancialmente contracionista e que o cenário reúne incertezas relevantes, expectativas inflacionárias elevadas e uma desaceleração mais acentuada da atividade econômica.
A decisão, segundo o Banco Central, é compatível com a estratégia de conduzir a inflação para próximo da meta ao longo do horizonte relevante, sem perder de vista os efeitos da política monetária sobre a atividade econômica e o pleno emprego.
O Comitê informou que continuará acompanhando a evolução dos indicadores para manter o grau de restrição monetária considerado adequado à convergência da inflação para a meta.
A decisão foi unânime entre os sete integrantes do Copom: Gabriel Muricca Galípolo, presidente do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.






