Exportações brasileiras crescem em meio à crise no Oriente Médio, enquanto o petróleo ganha protagonismo na balança comercial do país.
O Brasil ultrapassou a Arábia Saudita e assumiu a segunda posição entre os maiores fornecedores de petróleo bruto da China, atrás apenas da Rússia. Segundo dados aduaneiros chineses divulgados nesta quarta-feira (21), as exportações brasileiras alcançaram 44,29 milhões de toneladas entre janeiro e setembro de 2026, contra 43,12 milhões de toneladas embarcadas pelos sauditas.
O avanço brasileiro ocorre em um momento de transformação no mercado global de energia, marcado pela guerra no Irã e pelas restrições ao transporte marítimo no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo.
Em setembro, os embarques brasileiros para a China cresceram 18% em relação ao mesmo mês de 2025, atingindo o equivalente a 1,25 milhão de barris por dia. No mesmo período, as exportações sauditas recuaram 62%.
Petróleo fortalece a balança comercial brasileira
O desempenho também se reflete nas contas externas. Nos nove primeiros meses de 2026, o superávit comercial brasileiro em petróleo e derivados atingiu US$ 31,22 bilhões, crescimento de 40%, representando aproximadamente metade do saldo positivo total da balança comercial do país.
Em setembro, o petróleo superou a soja e assumiu a liderança entre os produtos mais exportados pelo Brasil, reforçando sua importância estratégica para a economia nacional.
Crise energética redesenha o comércio mundial
Análise do Financial Times aponta que os conflitos no Oriente Médio e as dificuldades de navegação pelo Estreito de Ormuz estão impulsionando novos investimentos em exploração e produção de petróleo nas Américas.
O cenário, entretanto, também traz riscos. Um relatório citado pelo jornal alerta que a combinação das interrupções logísticas em Ormuz com um possível El Niño intenso poderá provocar um choque global nos preços dos alimentos, devido ao aumento dos custos de energia, transporte e insumos agrícolas.
O que está em jogo
A mudança na posição brasileira entre os fornecedores da China evidencia uma reorganização das cadeias globais de energia.
Para o Brasil, o movimento representa uma oportunidade de ampliar sua relevância no comércio internacional e fortalecer suas receitas de exportação. Ao mesmo tempo, reforça a exposição da economia brasileira às oscilações dos preços internacionais do petróleo e às tensões geopolíticas.
Mais do que uma mudança no ranking de fornecedores, o avanço brasileiro sinaliza uma nova configuração do mercado mundial de energia, na qual segurança de abastecimento, logística e diversificação de fornecedores ganham importância crescente.







